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domingo, 18 de novembro de 2012

Edição 140 - Aprovada alteração no currículo escolar

Pessoas
Ética não deveria ser ensinada, mas repassada dentro do seio familiar.
Porém, com a transferência de responsabilidades atual, pode ser uma maneira de 'ensinar' as crianças e jovens. As famílias perderam ou se permitiram perder a autoridade e responsabilidade.
Quem sabe se com a implantação de 'novas disciplinas' nas escolas os professores, aqueles ávidos por uma sociedade justa e preocupados com a formação do cidadão crítico, possam encontrar respaldo para tal.
A questão é: mas e o novo que nasce velho?
Lembro-me de ouvir Elis Regina e Belchior cantando "... ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". Os professores precisarão trabalhar a questão sem se deixar levar a atender interesses escusos...
Brasil, ame-o ou deixe-o, esta frase ainda ecoa em velhos porões...
Pensem nisso


Aprovada a inclusão de duas disciplinas no currículo escolar

"Ética e Cidadania Moral" e "Ética Social e Política" foram incluídas como obrigatórias na Lei de Diretrizes e Bases

O Senado aprovou na última quarta-feira (14) projeto que obriga as escolas da educação básica a oferecerem as disciplinas de Ética e Cidadania Moral e Ética Social e Política. O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira ao tornar as duas disciplinas obrigatórias nas escolas brasileiras.
Instituída durante a ditadura militar (1964-1985), a disciplina de "Moral e Cívica" deixou de ser obrigatória no país em 1993. No decreto de sua criação, o governo militar dizia que a disciplina tinha entre outros objetivos "a preservação dos valores espirituais e éticos da nacionalidade" e o "fortalecimento da unidade nacional".
O MEC (Ministério da Educação) é contrário ao projeto por considerar que a inclusão de duas novas disciplinas vai promover um "inchaço" nos currículos escolares. Em nota técnica enviada a senadores para criticar o projeto, o ministério diz que o calendário de 200 dias letivos fixado pela Lei de Diretrizes e Bases da educação não comporta novas disciplinas.
A proposta havia sido aprovada em caráter terminativo pela Comissão de Educação do Senado em setembro, mas o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), pediu sua votação em plenário.
Autor do projeto, o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) aproveitou o esvaziamento do plenário, véspera de feriado, e conseguiu incluir a matéria na pauta de votações. O senador disse que tinha o apoio dos líderes partidários para votar a matéria. O projeto segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
Em defesa da proposta, Souza afirmou que a inclusão das disciplinas tem o objetivo de fortalecer o sistema educacional brasileiro ao priorizar a "formação moral e ética das nossas crianças".
"Queremos fortalecer a formação de um cidadão brasileiro melhor: pela formação moral, ensinando conceitos que se fundamentam na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos; por outro lado, pela formação ética, ensinando conceitos que se fundamentam no exame dos hábitos de viver e do modo adequado da conduta em comunidade", afirmou o senador.
Relator da proposta e ex-reitor da Universidade de Brasília, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu o projeto ao afirmar que os problemas "cruciais" da sociedade só serão solucionados com políticas educacionais voltadas para a formação moral e ética das crianças e jovens.
"Dada a presente desagregação social pela qual passamos, representada pela atual crise de valores humanos, faz-se necessário que a escola oriente a formação do caráter dos nossos jovens, fortalecendo a formação dada no núcleo familiar", disse.

Créditos
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1319071&tit=Aprovada-a-inclusao-de-duas-disciplinas-no-curriculo-escolar



domingo, 11 de novembro de 2012

Edição 139 - Escola pública que dá certo

Pessoas

A educação no Brasil deve e pode ser boa, de qualidade.
Entendo que os gestores do 'sistema' têm mais peso que o próprio governo.
Quando professor quer, e quando recebe apoio da equipe de retaguarda, não tem quem segure.
As dificuldades são superadas...
Governo, faça a sua parte, repasse a verba necessária e deixe o professor trabalhar.
Equipe de apoio, pedagogas, diretores, façam a sua parte, apoiem.
Quando cada um faz a sua parte, as coisas fluem naturalmente. Em escola que não existe 'fogueira de vaidades', os resultados aparecem.
Pensem nisso

Ensino público S/A

Com um modelo de aula integral gerido por uma autarquia, a educação pública de Apucarana funciona como uma empresa privada. E não é que está dando certo

Gracy Kelly, diretora da Escola Municipal Alcides Ramos, com alunos do integral: aulas o dia todo, avaliação própria e autonomia de gestão garantem a qualidade do ensino em Apucarana

 O sistema educacional de Apucarana (Norte do Paraná) é um mundo à parte. Gerido por uma autarquia (e não uma Secretaria de Educação), ele foge do padrão das escolas públicas brasileiras e se aproxima da qualidade da rede privada de ensino. Atua quase como uma empresa, onde a secretária de Educação é a presidente e os pais, os acionistas. 
A cidade tem uma rede de educação integral que funciona com qualidade em todas as escolas e serve de referência para o resto do país. Além disso, conta com um sistema próprio de avaliação de desempenho escolar, a Prova Cidade Educação. O teste, que será realizado na semana que vem, acontece a cada dois anos para intercalar com a Prova Brasil, a avaliação do ensino fundamental feita pelo governo federal e que serve para compor o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Embora a de Apucarana siga o mesmo padrão da nacional, que é avaliar o conhecimento de português e matemática dos alunos do 5.º ano, a prova ajuda a detectar falhas e auxilia na montagem do planejamento escolar do ano seguinte. Em 2012, a prova vai dar um passo à frente e fazer o que o Ministério da Educação (MEC) pretende para o resto do país apenas em 2013: avaliar os alunos do 3.º ano para medir a qualidade da alfabetização.
Segundo a presidente da Autarquia Municipal de Educação de Apucarana, Suzimara Carvalho de Almeida Lima, a educação integral da cidade funciona bem porque, com um controle anual de desempenho, é possível detectar e consertar mais rápido os problemas. Não é à toa que ao longo de 11 anos a educação integral deixou de ser apenas atividades aleatórias de contraturno – como ainda acontece em boa parte das escolas da rede estadual – e passou a ter disciplinas da base curricular obrigatória, como matemática, história e ciências, tanto no turno da manhã quanto no da tarde. Foram essas mudanças que contribuíram para o aumento do Ideb da cidade, que saltou de 4,5 em 2005 para 6 em 2011, média equivalente a das escolas com os melhores desempenhos.
As aulas, que começam 7h30 e vão até 16h30, mesclam conteúdos obrigatórios com oficinas – que vão desde jogos matemáticos até leitura e produção de texto – e aulas de balé, caratê e música. Essas três últimas são dadas por uma empresa terceirizada especializada.
Mais agilidade
Criada em 2010, a autarquia é vinculada à prefeitura, mas tem autonomia para trabalhar. Por não precisar se submeter aos processos burocráticos normais a uma Secretaria de Educação, há mais agilidade na liberação de recursos para as escolas, que vão desde o conserto de um telhado até a compra de merenda e material pedagógico.
Além disso, o prefeito João Carlos de Oliveira (PMDB) explica que, por ser um modelo jurídico diferente e com outra carga tributária, há sempre uma sobra de caixa – cerca de R$ 350 mil por ano –, que é investido diretamente nas escolas. “Sem contar que nosso orçamento para a educação é um pouco maior que o das outras cidades [32% contra 25%]. Isso acontece porque precisa de mais investimento para ter uma boa educação integral.”
Estrutura física de colégio particular
O bom exemplo das escolas municipais de Apucarana também é resultado de uma estrutura física impecável, muito próxima de colégios particulares de cidade grande. A reportagem visitou três escolas de regiões diferentes da cidade, entre elas a Escola Municipal Senador Marcos de Barros Freire, que fica em um bairro carente, o Jardim Ponta Grossa. Em todas, o ambiente é o mesmo: salas grandes e arejadas, corredores e pátios limpos, pintura conservada e sem pichações ou depredações, banheiros em bom estado e adaptado para crianças de diferentes faixas etárias.
Cada sala comporta, em média, 30 alunos e é decorada com imagens pedagógicas que auxiliam o professor nas aulas e tornam o ambiente agradável e aconchegante. Em alguma delas, como na Escola Municipal Doutor Edson Giacomini, cada sala de aula tem uma biblioteca. Ao lado do quadro negro há uma estante com livros adequados para a faixa etária, cedidos pelo Ministério da Educação (MEC).
Nas salas que não têm livros, uma contadora de histórias passa de turma em turma, de duas a três vezes por semana. A professora Reni Piacentine tem esse papel. “Faço isso com os pequenos também. O bom desse trabalho é que ajuda eles a organizarem o pensamento para todas as outras disciplinas”, conta.
Atividades culturais
Para as aulas de dança, música e caratê não falta material – como flautas, por exemplo – nem espaço adequado. Geralmente, a escola tem uma grande sala coberta usada para essas atividades. Já a cozinha, que prepara lanches e almoço – são três refeições por dia –, parece muito com aquelas de casa de avó: ampla, com cortina na janela e cheiro de comida caseira. (AS)



Dificuldades
A consolidação do modelo educacional de Apucarana não foi fácil. Houve diversos percalços ao longo do caminho para conquistar a qualidade que se tem hoje. Entre 2001 e 2005, por exemplo, as escolas sofreram com a falta de espaço para aulas integrais, pois muitas dividiam a estrutura física com a rede estadual.
Sem contar a escassez de professores para suprir uma carga horária que saiu de 20 para 40 horas semanais. Por isso, o município criou a Faculdade Apucarana Cidade Educação (Faced), com quatro cursos de licenciatura com disciplinas específicas para formar docentes voltados para o ensino integral.
Participação
Pais “acionistas” opinam, fiscalizam e cobram
Para garantir o bom funcionamento de uma grande empresa são necessários acionistas que cobrem resultados e fiscalizem as contas. É justamente esse o papel dos pais de alunos matriculados na rede municipal de Apucarana. Além de participar de reuniões periódicas para definir quais as reformas, mudanças e aquisições que a escola precisa, eles contribuem voluntariamente com R$ 2 ou R$ 3 por mês, recurso destinado à compra de materiais de higiene e limpeza ou outras necessidades que alunos e professores precisam ao longo do ano.
É por esse papel que os pais são peça-chave para o bom funcionamento da rede. Na Escola Municipal Professor Alcides Ramos, que atende 213 crianças de 4 a 10 anos, logo no início do ano letivo, famílias e diretoria decidem que festa farão para arrecadar dinheiro e em que esse valor será aplicado. “A maior que temos é a festa junina. Conseguimos arrecadar R$ 15 mil e investimos na reforma dos dois banheiros dos alunos. Essa decisão foi tomada em conjunto”, conta a diretora Gracy Kelly Alves Canisin.
As escolas também contam com o fundo rotativo municipal, que possibilita fazer pequenas compras e reformas sem precisar de licitação.

Créditos:

gdp




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Edição 137 - Ensino médio freia evolução do Ideb

Pessoas
Desde muito cedo aprendemos que o que sustenta uma edificação é a sua estrutura.
Já ouvi, muito, alguns pais dizendo que depois pagam um cursinho e tudo se resolve, caso o filho não tenha aprendido alguma coisa.
Defendo que a educação nas séries iniciais é a mais importante. Caso uma criança não tenha sido bem trabalhada, fatalmente enfrentará dificuldades em aprender e apreender conteúdos.

País tem melhoria no início do ensino fundamental, mas desempenho piora a partir dos anos seguintes. Paraná perde posições em ranking nacional

A qualidade do ensino médio piorou em dez unidades da federação, incluindo o Paraná, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). A leitura dos dados mostra um desafio insistente no ensino brasileiro: a situação tem melhorado no início da educação básica, mas vai piorando com o passar dos anos e dos ciclos.
O próprio Paraná é um exemplo disso. Segundo dados do Ideb, a nota do ensino médio caiu de 4,2 em 2009 para 4,0 em 2011, o que fez o estado descer de 1.º para 3.º lugar no ranking dessa etapa do ensino. Já nos anos finais do fundamental (6.º ao 9.º ano) a nota se manteve em 4,3, enquanto nos anos iniciais (1.º ao 5.º ano) cresceu de 5,4 para 5,6. Com esse desempenho, o Paraná desceu de 4.º para 6.º lugar na lista dos últimos anos do ensino fundamental e permaneceu em 4.º nos primeiros anos.

Mesmo assim, a rede paranaense atingiu as metas definidas para 2011 em todas as etapas e as notas do estado continuam sendo bastante altas se comparadas ao resto do país.
Curitiba, embora não tenha o Ideb mais elevado do estado, ainda é, pela quarta vez consecutiva, a capital com maior nota nos anos iniciais do ensino fundamental, ao lado de Belo Horizonte, que ocupa essa posição pela primeira vez. No país, a nota nacional do Ideb nos anos iniciais teve o maior avanço e chegou a 5,0 – todas as unidades da federação atingiram a meta (4,6). Já nos anos finais do fundamental, sete estados ficaram abaixo da meta (4,0).

Desafio
Apesar da meta nacional do ensino médio, de 3,7, ter sido atingida, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, admitiu que o fraco desempenho dessa etapa do ensino no Ideb é “um imenso desafio”. Segundo ele, os problemas são conhecidos e o governo se prepara para enfrentá-los. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a rede estadual é responsável por 97% das matrículas do ensino médio na rede pública, o que torna a questão uma responsabilidade dos governos locais.
Para a superintendente de educação da Secretaria de Educação do Paraná (Seed), Merougy Giacomassi Cavet, a queda no ranking do Ideb se deve a problemas estruturais que as escolas públicas enfrentaram em 2011, como a infraestrutura precária e a rotatividade de docentes. Outro fator foi o aumento do índice de reprovação no ensino fundamental – que entra no cálculo do índice – que foi de 12% em 2009 para 15%, o que puxou a nota para baixo mesmo que o desempenho em Português e Matemática tenha aumentado.
Já no ensino médio, a nota nessas disciplinas caiu, aliada às altas taxas de evasão e reprovação, que historicamente são mais altas nessa etapa. “Houve uma opção da secretaria em reduzir a carga horária do ensino médio e isso refletiu diretamente no desempenho dos alunos”, explica Merougy. Segundo ela a secretaria começou em 2012 a implementar medidas para reverter esses números, como abertura de concurso público para professores e uma avaliação própria para medir qualidade de desempenho de alunos e professores para diagnosticar as falhas.
Cai a diferença entre públicas e privadas
Diferentemente do Paraná, que manteve a mesma distância entre as notas das redes pública e privada, nas demais regiões do país essa diferença está menor. As escolas públicas cresceram mais do que as particulares e superaram, em todas as etapas da educação, a meta prevista para o ano passado. Algumas até atingiram as de 2013.
Embora a diferença das notas entre as duas redes ainda seja grande, 4,7 para a pública contra 6,5 para a privada nos primeiros anos do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), as particulares cresceram pouco desde a primeira edição da prova ou não atingiram a meta em algumas regiões, enquanto as públicas avançaram mais, como no Nordeste e no Sudeste, onde chegaram a dobrar o desempenho.
Para o doutor em educação, especialista em políticas públicas educacionais e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Ângelo Souza, a estagnação da rede particular e o crescimento da pública se deve à taxa de reprovação e de evasão, que entram no cálculo da nota final do índice. Como nas privadas essas taxas são praticamente nulas, a variação depende apenas da nota da prova. “A lógica do Ideb é facilitar o crescimento inicial, faz parte da estatística. Como as particulares só dependem de um indicador para variar o rendimento, é normal que o aumento seja lento, diferente das públicas que ainda têm de superar reprovação e evasão.”
Ele explica que é muito mais difícil melhorar a aprendizagem do que reduzir o abandono escolar. Por isso o maior aumento proporcional das públicas, mesmo tendo desempenho inferior, é mais fácil de atingir.
Dificuldades
Por causa das altas taxas de evasão e reprovação, os índices do ensino médio ainda são bem mais baixos que os do ensino fundamental. Uma das causas é a dificuldade de manter os alunos em sala, considerando que boa parte estuda à noite, além de haver grande número de matérias. “O rendimento é comprometido porque muitos deles trabalham e, com tantas disciplinas, eles ficam desestimulados”, diz o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.



Anos iniciais: as melhores de Curitiba

1 S. Luiz Municipal 7.5
2 Presidente Pedrosa Municipal 7.5
3 Prof. Sonia Maria Coimbra Kenski Municipal 7.3
4 Jardim S. Inacio Municipal 7.2
5 Caramuru Municipal 7.1
6 Dezenove De Dezembro Estadual 7.0
7 Dom Manuel Da Silveira D Elboux Municipal 7.0
8 Leonor Castellano Municipal 6.9
9 Desembargador Marcal Justen Municipal 6.9
10 Campo Mourao Municipal 6.8
11 Pedro II Estadual 6.8
12 S. Mateus Do Sul Municipal 6.8
13 Umuarama Municipal 6.8

Anos iniciais: as piores de Curitiba

1 Hildebrando De Araujo Estadual 2.4
2 Emiliano Perneta Estadual 3.2
3 Manoel Ribas Estadual 3.3
4 Doracy Cezarino Estadual 3.9
5 Itacelina Bittencourt Municipal 4.1
6 Jose Fressato Estadual 4.3
7 Paula Gomes Estadual 4.4
8 Angelo Volpato Estadual 4.7
9 Cecilia Meireles Estadual 4.7
10 Cei Romario Martins Municipal 4.7
11 Sebastiao Saporski Estadual 4.7
12 Prof. Maria Marli Piovezan Municipal 4.7

Anos finais: as melhores de Curitiba

1 Colégio Militar De Curitiba Federal 7.0
2 Colégio da Polícia Militar Estadual 6.8
3 Angelo Trevisan Estadual 6.1
4 Colégio Estadual do Paraná Estadual 6.1
5 Aline Picheth Estadual 5.9
6 Dezenove De Dezembro Estadual 5.6
7 Maria P. Martins Estadual 5.6
8 Nossa Sra aa Salete Estadual 5.5
9 Pedro Macedo Estadual 5.5
10 Maria Clara Brandao Tesserolli Municipal 5.4
11 Emilio De Menezes Estadual 5.3
12 Leoncio Correia Estadual 5.3
13 Lysimaco F. Costa Estadual 5.3
14 Orione Estadual 5.3
15 Rio Branco Estadual 5.3

Anos finais: as piores de Curitiba

1 Alfredo Parodi Estadual 2.4
2 Doracy Cezarino Estadual 2.4
3 Rodolpho Zaninelli Estadual 2.9
4 Iara Bergmann Estadual 2.9
5 Colbacchini Estadual 3.0
6 Domingos Zanlorenzi Estadual 3.0
7 Gottlieb Mueller Estadual 3.0
8 Guido Straube Estadual 3.0
9 Jose Fressato Estadual 3.0
10 S.s Dumont Estadual 3.0
11 Guido Arzua Estadual 3.0

Anos iniciais: as melhores do Paraná

1 Foz do Iguaçu S. Rita De Cassia Municipal 8.6
2 Foz do Iguaçu Joao Paulo Municipal 8.3
3 Foz do Iguaçu Benedicto J. Cordeiro Municipal 8.2
4 Foz do Iguaçu Antonio Goncalves Dias Municipal 8.0
5 Foz do Iguaçu Frederico Engel Municipal 7.9
6 S. Terezinha De Itaipu Olimpio Spricigo Municipal 7.9
7 Toledo Washington Luiz Municipal 7.9
8 Joaquim Tavora S. Jose Municipal 7.8
9 Vitorino Menino Jesus Municipal 7.8
10 S. Terezinha De Itaipu Nossa Senhora Do Carmo Municipal 7.7
11 Foz do Iguaçu Getulio Vargas Municipal 7.6
12 Cianorte Ernesto Geisel Municipal 7.5
13 Curitiba S. Luiz Municipal 7.5
14 Curitiba Presidente Pedrosa Municipal 7.5
15 Foz do Iguaçu Julio Pasa Municipal 7.5
16 Foz do Iguaçu Olavo Bilac Municipal 7.5
17 Foz do Iguaçu Suzana Moraes Balen Municipal 7.5
18 Foz do Iguaçu Rosalia A Silva Municipal 7.5
19 Londrina Neman Sahyun Municipal 7.5

Anos iniciais: as piores do Paraná

1 Espigao Alto Do Iguacu Valdomiro Tupa P. De Lima Estadual 2.2
2 Curitiba Hildebrando De Araujo Estadual 2.4
3 Manoel Ribas Gregorio Kaekchot Estadual 2.4
4 Palmas Segso Tanh Sa Estadual 2.5
5 Nova Laranjeiras Candoca Tanhprag Fidencio Estadual 2.6
6 Nova Laranjeiras Nestor Da Silva Estadual 2.6
7 S. Antonio Da Platina Ophelia M Nascimento Municipal 2.6
8 Candido De Abreu Sergio Krigrivaja Lucas Estadual 2.9
9 Londrina Joao Kavagtan Vergilio Estadual 3.0
10 S. Antonio Da Platina Franklin D Roosevelt Municipal 3.0
11 Pirai Do Sul Ronda Municipal 3.1
12 Curitiba Emiliano Perneta Estadual 3.2
13 Londrina Carlos Z Coimbra Municipal 3.2
14 Mangueirinha Kokoj Ty Han Ja Estadual 3.2

Anos finais: as melhores do Paraná

1 Curitiba Colégio Militar De Curitiba Federal 7.0
2 Curitiba Colégio da Polícia Militar Estadual 6.8
3 Curitiba Angelo Trevisan Estadual 6.1
4 Curitiba Parana Estadual 6.1
5 Ponta Grossa Medalha Milagrosa Estadual 6.1
6 Maringa Aplicação Estadual 6.0
7 Curitiba Aline Picheth Estadual 5.9
8 Missal Tancredo Neves Estadual 5.9
9 S. Antonio Da Platina S. Terezinha Estadual 5.9
10 Foz do Iguaçu Tarquinio S.sns Med Estadual 5.8
11 Londrina Marcelino Champagnat Estadual 5.8
12 Quedas Do Iguacu Arnaldo Busatof Estadual 5.8
13 Toledo Dez De Maio Estadual 5.8

Anos finais: as piores do Paraná

1 Araucaria Elzeario Pitz Estadual 0.9
2 Mariluz Jose A. De Almeida Estadual 2.0
3 Nova Laranjeiras Rio Das Cobras Estadual 2.0
4 Almirante Tamandare Joao Paulo I Estadual 2.3
5 Curitiba Alfredo Parodi Estadual 2.4
6 Curitiba Doracy Cezarino Estadual 2.4
7 Foz do Iguaçu Carmelita S. Dias Estadual 2.4
8 Colombo Plinio A. M. Tourinho Estadual 2.5
9 Bandeirantes Juvenal Mesquita Estadual 2.6
10 Fenix Vila Rica Do E. S. Estadual 2.6
11 Loanda Lamartine R. Soares Estadual 2.6
12 Londrina Sagrada Familia Estadual 2.6
13 Perola Perola Byington Estadual 2.6
14 Prado Ferreira Julia Wanderley Estadual 2.6







Créditos
gdp

domingo, 13 de maio de 2012

Edição 134 - A falta que o diploma faz na escola

Pessoas
Não conheço alguém que faça uma casa, seja relapso com a estrutura, mas capriche na pintura...
Tinta não segura tijolo mal assentado, assim como massa corrida não reforça uma parede que não tenha colunas de concreto.
Escrevo isso pois não acredito em remendos, principalmente com educação.
Ou as séries iniciais são bem feitas, ou o preço, no final será caro.

Quatro em cada dez professores de educação infantil no Brasil ainda não têm curso superior. Para educadores, falta de formação prejudica ensino

O número de professores da educação básica (que reúne os ensinos infantil, fundamental e médio) com ensino superior no país cresceu 7,6% no último ano, segundo dados do Censo Escolar de 2011. Embora o salto seja significativo, considerando o curto espaço de tempo, a quantidade ainda é insuficiente, principalmente na educação infantil. Em creches e pré-escolas, 43% dos docentes não têm diploma universitário, contra 32% no ensino fundamental I (1º ao 6º ano), 16% no ensino fundamental II (7º ao 9º ano) e 6% no ensino médio.
Para especialistas, a falta de profissionais graduados na educação infantil pode comprometer a formação da criança e torná-la um estudante menos interessado e com baixo desempenho. “Convencionou-se achar que para atuar nessa área bastava ser cuidador, mas não é verdade. Educação infantil também é ensino e precisa de professor capacitado, com formação”, diz a professora de Psicologia da Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Clara Brener Mindal.

Magistério
Muitos dos professores sem diploma são os que fizeram o antigo curso técnico de Magistério. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), implantada em 1996, estabelecia um período de dez anos para que esses docentes se graduassem em pedagogia ou licenciatura (Letras, Matemática, Física, Química, História, Geografia e Biologia). Como o prazo não foi cumprido porque as políticas de incentivo não deram conta de formar todo mundo, em 2009 um novo artigo determinou que o Magistério poderia continuar como formação mínima para a educação infantil e os quatro primeiros anos do ensino fundamental (1° ao 6º ano).
Porém, segundo o consultor educacional Renato Casagrande, o magistério não é suficiente para capacitar um docente. Falta aprofundamento de disciplinas teóricas como desenvolvimento cognitivo e psicologia, que são tratadas superficialmente. “O estudante do ensino médio não tem maturidade suficiente para ter a formação que a graduação oferece e nem tem a consciência da responsabilidade que tem em mãos”, completa.
Outra razão para a necessidade de formação do professor para atuar na educação infantil é que é na fase entre zero e 5 anos, quando a criança constrói sua personalidade e sua capacidade cognitiva, que ela vai desenvolver suas competências e habilidades. O que aprende neste período é fundamental para o conhecimento que construirá depois. “Para isso precisa de um bom mediador, alguém que estimule sua capacidade de pensar. Por isso a graduação desse profissional é muito importante, inclusive sua formação humana”, explica a professora de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Mari Ângela Calderari Oliveira.
A professora Tatiane Dembicki: sete anos sem graduação
 24,5% dos docentes não têm graduação
Nos últimos 15 anos, o governo federal investiu na formação superior de professores, mas o esforço ainda não foi suficiente. Mesmo com o incentivo de acesso à universidade, como as bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) e as facilidades para conseguir crédito pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), 24,5% dos professores de todo o ensino básico brasileiro ainda não têm uma graduação.
A explicação é que – além de ainda existir dificuldade de acesso à universidade, principalmente nos estados do Norte e Nordeste, que têm respectivamente 65% e 62,4% de professores formados – a desvalorização da carreira faz com que poucos jovens se interessem em segui-la. “Ser professor não é uma profissão estimulante, não oferece nem uma posição de status nem salários atrativos”, diz a professora Sônia Penin, do Departamento de Educação da Universidade de São Paulo (USP).
Quanto à dificuldade de formação, ela sugere aos professores que têm uma jornada de trabalho extensa, geralmente em dois ou três turnos, e pouco tempo para estudar que optem pelo ensino a distância (EAD). Entre 2000 e 2008, a quantidade de alunos no EAD saltou de 1.758 para 786.718.
Apesar disso, a oferta de cursos de licenciatura e pedagogia a distância nas Regiões Norte e Nordeste é a mais baixa do país, com 73 e 155 graduações, respectivamente. No Sudeste, por exemplo, são 391 cursos. Não por acaso, o eixo Norte-Nordeste tem a menor quantidade de professores formados.

Escolha
Sônia acredita que uma das saídas para alterar esse quadro é, além do aumento dos salários, incentivar os estudantes em fase de escolher a graduação a se tornarem professores. “São políticas públicas que vão atrair as pessoas a seguir a carreira. Em Cingapura, por exemplo, em dez anos o número de docentes aumentou muito porque as escolas passaram a estimular os melhores alunos do Ensino Médio a ingressar na área.”

Licenciaturas

Qualidade do ensino também depende de formação específica

Mas não basta apenas ter curso superior para dar aula. É importante que essa formação seja feita em graduações específicas para a carreira, como licenciaturas e pedagogia. Por causa da falta de professores com essa qualificação no Brasil, é comum que pessoas diplomadas em outras áreas atuem como docentes.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Direito e Administração, por exemplo, são o sétimo e o nono cursos a empregarem mais professores na educação básica. “Isso acontece porque os brasileiros veem a carreira de professor como um bico. Ou seja, a pessoa não acha emprego na sua área e vai dar aula para compor renda, pois qualquer um que tenha diploma de ensino superior pode dar aula”, diz o consultor educacional Renato Casagrande.

Mesmo que esses profissionais tenham formação superior e conhecimento técnico, falta formação em didática e, portanto, preparo para dar aula, o que é fundamental para a transmissão efetiva do conhecimento.

Eterno aprendizado

Mas somente as graduações específicas sozinhas não garantem um bom desempenho do professor. Especialistas são unânimes em ressaltar que para manter a qualidade em sala a formação continuada é fundamental e tem reflexo direto na aprendizagem do aluno. “Estudar continuamente é papel do professor. Só que não podemos jogar a responsabilidade de complementar o estudo apenas nele. As instituições devem estar atentas também. Em geral, prefeitura e governo do estado fazem bem isso com a oferta cursos de pós-graduação e capacitação”, afirma o professor de Pedagogia da Universidade Positivo (UP) Celso Klammer.

Melhoria salarial é um incentivo

O Paraná aparece no Censo 2011 como o estado com o maior índice de docentes formados: 90%. Apesar disso, a capital paranaense tem uma quantidade de professores diplomados na educação infantil muito inferior (15,9%) aos que só tem magistério (84,1%).

Mas esta é uma situação momentânea, segundo a diretora do Departamento de Educação Infantil da prefeitura de Curitiba, Ida Regina Milleo de Mendonça. Ela diz que mais da metade dos professores sem ensino superior em creches e pré-escolas já estão fazendo a graduação.

Mas o que leva boa parte dos docentes a se interessar pelo ensino superior durante o exercício da profissão não é principalmente a capacitação, mas o salário. Na capital, quem tem magistério ganha R$ 1.347,59 para 40 horas por semana, contra R$ 2.869,18 dos diplomados.

Tatiane Dem­­bicki, professora de educação infantil da Escola Municipal Vereador Hemetério Torres, de Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba, se interessou em ter um diploma após sete anos em sala de aula. “Para mudar de cargo, como assumir uma coordenação, por exemplo, precisa ter diploma”, explica.



Créditos
 gdp

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Edição 118 - O mercado negro das monografias

Pessoas
Lembro-me de uma piadinha ouvida nos corredores da universidade:
"Copiar de um é plágio, de três ou mais é pesquisa".
Seria cômico se não fosse trágico.
A comodidade em pagar por um trabalho pode sair caro.

Sem tempo ou incapazes de fazer uma pesquisa, alunos contratam terceiros para produzir o material. Embora comum, a prática é crime

Basta uma busca rápida na internet para encontrá-los. Lá estão centenas de sites criados com o intuito de vender trabalhos acadêmicos e que oferecem artigos, monografias de graduação e pós-graduação, dissertações de mestrado e até teses de doutorado.
Sempre com a garantia de serem produções "inéditas". E a oferta não se restringe ao mundo virtual. Nos murais das faculdades, o serviço aparece disfarçado entre anúncios de digitação ou orientação sobre normas técnicas de formatação.
Alunos que não querem se dedicar aos trabalhos de conclusão de curso (TCC) acabam seduzidos pelas propostas de venda. Um serviço 'rápido' - pois uma monografia completa chega a ficar pronta em um mês - e 'prático' - já que o contratante recebe em seu e-mail o trabalho completo, além de uma prévia do pré-projeto e os slides a serem apresentados na defesa do material.
Mas a 'facilidade' não custa apenas o valor cobrado pelos fabricantes de TCCs - de R$ 20 a R$ 60 por página, conforme o nível de escolaridade do estudante. Tal prática é criminosa e vai contra o princípio de que um trabalho acadêmico é o resultado do conhecimento absorvido e do aprendizado do estudante que conclui um período de estudos.
"Se tem tanta gente vendendo, tem muita gente comprando. Mas como uma pessoa de fora vai concluir algo sobre um curso que não frequentou? E como alguém cursa quatro ou cinco anos e não é capaz de concluir nada?", questiona a mestre em políticas educacionais Paulla Helena Silva de Carvalho, professora e coordenadora de Pedagogia da UniBrasil.


Prejuízos na educação
De acordo com pessoas que se propõem a fazer os trabalhos, entrevistadas pelo Vida na Universidade, estudantes de Direito e Pedagogia estão entre os que mais compram trabalhos prontos. Na visão de Paulla, o prejuízo acadêmico para o aluno é claro. “Comprar um trabalho pronto é um crime contra a própria formação. Se for um aluno de Pedagogia, então, é crime duas vezes, pois se trata da formação de um educador. Se um formando em Pedagogia faz isso, o que esperar dos alunos dele?”, afirma.
Para a professora de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPRClara Borges, coordenadora de monografias da graduação, é fora da faculdade que o aluno que forja o TCC vai pagar o maior preço pelo erro. “É uma questão ética, um aluno que faz isso está se enganando. Esse autoengano vai ter consequências na vida dele. Por ter deixado de aprender, outro aluno, que se dedicou ao trabalho, cresceu muito mais e vai ter mais facilidade no mercado de trabalho”, diz.
Estudante é quem leva a pior em compra
Embora seja uma conduta considerada moral e eticamente condenável, vender um trabalho acadêmico não é crime, já que a prática não está previsto no Código Penal. Por outro lado, o aluno que contrata esse tipo de serviço pode ser responsabilizado de várias formas.
Dentro da própria instituição de ensino, o aluno pode ser submetido a um processo administrativo. As consequências dependem das normas internas de cada universidade. De forma geral, o aluno pode ser processado e julgado. A pena é determinada por uma comissão montada para julgar o caso e pode chegar a uma advertência verbal, uma suspensão ou até a exclusão do estudante da instituição.
Crime
Caso o trabalho apresentado pelo aluno contenha trechos de outras pesquisas ou livros sem a devida citação, fica caracterizado o plágio. “Mesmo que não haja a intenção de se obter lucro, o simples plágio viola o direito autoral. Se o aluno contratou alguém e essa pessoa cometeu plágio, quem será responsabilizado é o aluno. Quem assina uma monografia como se fosse dele assume o risco”, diz Clara Borges, professora de Direito da UFPR. Pelo Código Penal, o plágio ou a violação dos direitos autorais podem ser investigados e a pena varia de três meses a quatro anos de prisão.
Se o autor do texto usado de forma indevida processar algum estudante, este não poderá alegar que o trabalho foi feito por outra pessoa. “O artigo 166 do Código Civil diz que quando o motivo comum é ilícito, não se considera o negócio entre as duas partes”, explica o doutor em Direito e advogado Sérgio Staut, professor de Teoria do Direito da UFPR.
Segundo ele, é comum empresas contratadas cometerem plágio, vendendo o mesmo trabalho para vários alunos. Assim, o estudante pode sofrer uma ação civil em que o verdadeiro autor do trabalho solicita uma indenização, uma retratação ou as duas coisas.
Staut explica que quem contrata outra pessoa para fazer um trabalho está praticando plágio, mesmo com o consentimento do autor. “A qualquer momento, o autor verdadeiro pode dizer que fez o trabalho. É direito moral o autor pleitear a paternidade da obra, mesmo que haja um contrato assinado em que abriu mão da autoria”, afirma.
Procura por trabalhos é grande
Do outro lado do balcão, “empresários do trabalho pronto” se sustentam apenas com a produção de monografias para universitários
A procura de estudantes por trabalhos prontos é tão grande que fabricantes de monografias se dedicam exclusivamente a esse serviço. Cinco pessoas procuradas pela reportagem revelaram que se encontram nessa situação. Duas delas mantêm anúncios explícitos em murais de universidades curitibanas. As outras criaram sites e prestam o serviço nacionalmente. Todos admitem ser antiético colocar o nome em um trabalho que não foi feito pela própria pessoa e tentam se isentar da culpa, dizendo que o aluno deve ter o trabalho como base, estudá-­lo e desenvolver as próprias ideias em cima do material. Eles reconhecem que essa teoria não funciona na prática.
Um deles conta que mora em uma cidade pequena e não consegue emprego, o que o motivou a fabricar monografias. “Comecei digitando e formatando trabalhos. Depois, as pessoas começaram a perguntar se eu fazia [monografias], pois estavam sem tempo. Não sou uma empresa. Tenho nome próprio, telefone fixo. De forma alguma estou prejudicando os alunos, pois eles vão ter que ler, mostrar para o orientador e apresentar na banca”, diz.
Milhares
A equipe de um mestre em Educação já concluiu mais de 8 mil monografias. Ele conta que começou a formatar trabalhos nas normas técnicas em 2003 e afirma que, se o seu trabalho existe, é por uma falha no sistema educacional brasileiro. “Estamos em pleno século 21 e as universidades veem os alunos como clientes. Hoje qualquer um pode lecionar, mesmo sem o menor conhecimento científico. Se está acontecendo algum crime, quem está cometendo o crime é o próprio governo ao não fornecer a educação adequada, correspondente aos impostos que pagamos”, diz.
Formada em Pedagogia e com mestrado em Educação, uma mulher que trabalha sozinha em Curitiba diz que está há 17 anos na área e já fez 2,2 mil trabalhos. Cobra R$ 500 por monografia. O valor pode chegar a R$ 600 se o estudante também quiser um pré­projeto para entregar ao professor durante as orientações. Se o aluno não souber que tema escolher, ela sugere alguns, consultando seu banco de produções.
Importância da pesquisa deve ser assimilada
As aulas de Metodologia são obrigatórias para quem vai fazer um trabalho de conclusão de curso (TCC), mas a disciplina está longe de ser a favorita dos alunos. Eles acham a matéria chata e costumam não ter paciência para aprender as regras do universo científico. “Eles devem entender que as normas técnicas possibilitam a comunicação com o mundo. A prática de colocar uma citação com o sobrenome e nome do autor é usada no mundo inteiro”, diz o doutor em Educação Joe Garcia.
Para a mestre em Políticas Educacionais Paulla Helena Silva de Carvalho, apesar de um trabalho acadêmico ser complexo, estudantes conseguem fazê­lo bem se organizarem um cronograma e não deixarem a produção para a última hora. “O prazo é de um ano a um ano e meio. Vão ser usadas as férias, os fins de semana, mas é necessário para que o estudante conclua o curso de forma significativa,” considera.
A advogada Clara Borges lembra que um bom trabalho final e uma defesa eficiente influenciam a forma como colegas e professores veem o aluno. Por outro lado, quem é pego por plágio ou apresentando um trabalho que não é dele ficará “marcado” perante a comunidade acadêmica, além de enfrentar uma segunda banca ainda mais rígida.
Definição
O que é plágio?
É se apropriar daquilo que foi exteriorizado por outra pessoa. Mesmo que seja usada uma frase, se não for citado o autor, é plágio. Em trabalhos acadêmicos, também se constitui plágio a cópia de imagens, como tabelas, quadros e gráficos, sem a indicação do autor. Quem comete plágio pode ser condenado a pagar uma indenização e/ou fazer uma retratação ao verdadeiro autor do texto. Embora uma ação penal não seja usual, a detenção de três meses a quatro anos também está prevista na esfera penal.
Orientação
Professores devem ensinar normas técnicas
O hábito de universitários de copiar dizeres de outros autores geralmente nasce na escola, onde alunos costumam transcrever trechos encontrados em enciclopédias e na internet. Cabe aos professores ensinar a maneira correta de se fazer uma pesquisa acadêmica, com suas citações, referências e normas técnicas.
Mesmo em doutorados encontra-se gente que ainda não sabe como formatar a própria tese, segundo o doutor em Educação Joe Garcia, professor do mestrado em Educação da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). "Somos formadores. Quando pegamos um aluno no início do ano letivo é comum eles terem pouco conhecimento, citarem autores de forma inadequada. Mas isso se resolve, a universidade tem de oferecer sempre uma referência, um livro de normas técnicas e ter a certeza de que os alunos não estão sem a devida orientação", diz Garcia.
Acompanhamento
Se o professor acompanha o desenvolvimento do projeto, além de esclarecer as dúvidas do estudante, será capaz de perceber se o trabalho tem realmente a autoria do aluno. "Com as orientações, o professor sabe se o aluno está fazendo o trabalho ou não. É responsabilidade da universidade também dar condições para que o professor possa fazer essa orientação, isso envolve tempo fora de sala de aula e o pagamento de horas extras", conta Paula Helena Silva de Carvalho, professora e coordenadora de Pedagogia da Unibrasil.
Garcia afirma que o plágio acadêmico pode ser um problema gerado pela falta de domínio da linguagem nas normas técnicas. "Antes de culpar o aluno ou criminalizá-lo, os educadores têm de saber se estão dando esclarecimento e ensinando esse aluno a utilizar esta linguagem", diz.
Créditos

domingo, 11 de março de 2012

Edição 110 - Praça 19 de Dezembro

Pessoas
Reproduzo aqui a reportagem que conta a história da Praça 19 de Dezembro.
Atendo com isso pedidos de amigos.
Boa leitura e lembrem-se:
Caso as informações aqui contidas forem utilizadas, peço a gentileza de mencionar a fonte primária, contida no final desta.

É gratificante saber que a maioria dos leitores deste espaço memorialista curte a cidade, conhecendo nuan­­­ces da história de Curitiba, cujos detalhes são verdadeiramente curiosos e de extremo valor didático. Agora mesmo o leitor e historiador Jair Elias dos Santos Júnior nos envia correspondência a qual aproveitamos e publicamos na íntegra a seguir:


“Mulher nua: provincianismo vesgo”


A mulher nua rejeitada pela Justiça paranaense é transportada para os fundos do Palácio Iguaçu em meados da década de 1950



“A coluna Nostalgia abordou, na edição de domingo passado da Gazeta do Povo, um tema que deveria ser reparado pelo atual prefeito de Curitiba e pelo governador do estado. A remoção da estátua da mulher nua, hoje na Praça 19 de Dezembro, para a entrada do Tribunal do Júri, no Centro Cívico.
Criada por Erbo Stenzel e Humberto Cozzo, a escultura da mulher nua representa a Justiça e foi projetada para ficar na frente do Tribunal do Júri. Os monumentos foram inaugurados em 15 de junho de 1955. A Justiça não foi aceita e foi colocada atrás do Palácio Iguaçu, onde permaneceu por 19 anos. A escala e proporções da mulher nua não são semelhantes às do homem nu.
Em 30 de agosto de 1972, a estátua da mulher nua, que estava esquecida nos jardins do Palácio Iguaçu, foi levada para fazer companhia ao homem da Praça 19 de Dezembro. Tanto Erbo Stenzel quanto Bento Munhoz da Rocha Netto não concordaram com a remoção. Bento, em entrevista a jornais, considerou o ato como uma burrice enciclopédica e provincianismo vesgo acionado pelo oposicionismo desesperado da época.
O homem nu representa o povo do Paraná caminhando em direção ao porvir. Obra feita para comemorar o Centenário em 1953. A estátua foi erigida na Praça 19 de Dezembro
Stenzel explicou sua contrariedade devido às razões estéticas, pois a mulher nua de três metros se mostra inferior ao homem nu de oito metros. Em entrevista ao jornal Diário da Tarde, de 4 de setembro de 1972, Erbo Stenzel, aos 60 anos, com pernas imobilizadas, longa barba grisalha, cabelos brancos e lendo a Bíblia Sagrada e alguns livros alemães, expressou sua opinião sobre suas obras: O homem que a princípio eu projetara inclinado para frente, dando a impressão que estava correndo, e a mulher, que representaria Justiça, fugindo aos padrões normais, isto é, sem venda nos olhos, balança ou longo vestido.
Uma boa oportunidade para os nossos governantes corrigirem um erro histórico e, ao mesmo tempo, respeitarem a memória de Bento Munhoz da Rocha Netto, Erbo Stenzel e Humberto Cozzo.”
Eis aí, portanto, o texto do Jair que é autor do livro Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto. Como cidadão alerta sobre ocorrências na urbe curitibana sua bronca é válida, entretanto, acredito que a estátua da mulher, representando a Justiça, não teria como destino o Tribunal do Júri, mas sim para ficar em frente ao Tribunal de Justiça.
Sei que toda essa explicação é a mesma coisa que “chover no molhado”, haja vista que outra obra de Erbo Stenzel, o busto da professora Julia Wanderley que se encontra mutilado, continua com a cara quebrada em frente ao colégio, sem que “otoridade” alguma tome providências.
Lembro ainda que o monumento da Praça Zacarias em honra ao nosso primeiro presidente também foi descaracterizado em meados de 1960. Somente muitos anos depois voltaram as peças originais do pedestal graças à matéria publicada aqui na Gazeta do Povo, mesmo assim, com a condição de que ali se colocasse uma placa de bronze com os nomes do governador e do prefeito que exerciam suas funções na época do retorno.

O monumento ao Barão do Rio Branco no momento que era inaugurado em 19 de Dezembro de 1914. É uma das esculturas mais bonitas de Curitiba

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