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domingo, 6 de maio de 2012

Edição 133 - Natureza se vinga?

Pessoas
Que história mais sem pé nem cabeça.
O cidadão tenta jogar lixo no açude e vai para na água, seria a natureza se vingando?
Diria que não, mas já imaginaram se acontecesse algo desse porte com cada um que joga lixo nos rios, córregos e ruas.
Os reflexos disso tudo vêm com o tempo, nesse caso foi imediato.

Carro cai em açude após condutor tentar jogar lixo na água, na Paraiba


Condutor perdeu o controle do Fiat Uno, segundo informações do 6º BPM.
Polícia registrou três acidentes no sábado, em Cajazeiras, PB


O condutor de um Fiat Uno MIlle acabou perdendo o controle do veículo e caindo dentro de um açude no Sertão paraibano ao se aproximar para jogar uma sacola de lixo na água. A ocorrência foi registrada pelo 6º Batalhão da Polícia Militar, neste sábado.


Segundo o cabo Josenildo Vasconcelos, o fato ocorreu próximo à Praça do Leblon, no Centro da cidade. Ele ainda informou que há suspeitas de que o condutor, um homem de 37 anos, estava embriagado. A vítima foi levada com ferimentos leves para o Hospital Regional de Cajazeiras por testemunhas do acidente. O veículo foi devolvido à família do condutor.


Carro caiu no açude quando o condutor tentou jogar lixo no açude - Foto: Eutim Rodrigues 

Créditos
g1

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Edição 117 - Os 10 mandamentos da vida digital

Pessoas
A internet veio para facilitar nossa vida.
Complicar também...
É preciso muito cuidado com o que posta, escreve, opina.
A mentira é desmascarada em questão de tempo.
Sabendo usar, sem problema

O estudioso da comunicação Douglas Rushkoff sugere um conjunto de regras para evitar que você seja dominado pelos programadores, apontados como a nova elite dominante do planeta


Todas as mídias e tecnologias têm viéses que promovem determinados tipos de comportamentos em detrimento de outros, diz o teórico de mídia Douglas Rushkoff, autor do livro Program or Be Programmed: Ten Commands for a Digital Age (em tradu­­ção literal, “Programe ou Seja Programado: Dez Man­­damentos para uma Era Di­­gital”) . Para explicar como a mídia digital está mudando a nossa relação com o mundo, ele relembra o impacto de re­­voluções passadas. “A linguagem permitiu o compartilhamento do conhecimento, a experiência cumulativa e a possibilidade de progresso. O alfabeto nos trouxe o pensamento abstrato, o monoteísmo e a lei contratual. O processo de impressão e a leitura privada permitiram uma nova ex­­periência de individualidade, uma relação pessoal com Deus, a Reforma Pro­­testante, os direitos humanos e o Iluminismo.” Rushkoff segue dizendo que sempre que houve o aparecimento de um no­­vo meio, o status quo é reescrito por aqueles que tem acesso às ferramentas de cria­­ção desse meio – acesso restrito, normalmente, a uma pequena elite. No caso do processo de impressão, por exemplo, poucas pessoas tinham acesso a uma impressora. A televisão e o rádio seguiram nesse mesmo modelo: uma pequena elite controlando a distribuição em massa de ideias e notícias.



A chegada da era do computador está vendo o surgimento de uma nova elite: os programadores. Quando a linguagem foi inventada, nós não aprendemos só a es­­cutar, mas também a falar. Quando fomos alfabetizados, aprendemos não só a ler, mas a escrever. Com a chegada da realidade digital, precisamos não apenas saber a como usar os progra­­mas, mas a como fazê-los – ou seja, a programar. Esse é o ponto central do livro de Rushkoff, que serve como um guia para como se comportar na era digital. Ve­­ja quais são os 10 pontos defendidos por ele para uma vida digital saudável.
1. Tempo:
Não esteja sempre conectado
Rushkoff explica que houve um salto gigantesco entre a invenção do e-mail e a popularização dos smartphones: o primeiro encontrava uma pessoa quando ela queria ser encontrada, enquanto o segundo interrompe o dono do aparelho ao tocar inesperadamente sempre que uma pessoa quer lhe contatar. Claro, isso se a pessoa deixar o telefone ligado. Esse é precisamente o ponto para o qual Rushkoff chama a atenção. À medida que a conexão de internet ficou mais rápida e mais livre, estamos adotando como norma um modo de vida “sempre ligado”. E-mail, tweet, update, notificação, alerta – o celular vibra por qualquer motivo. “Nossos aparelhos, e, por extensão, nosso sistema nervoso, está ligado a todo o universo online, o tempo todo”, escreve ele. “A extensão da memória para as máquinas expande a quantidade de informações à qual temos acesso, mas danifica a capacidade do próprio cérebro de lembrar das coisas.” A dica: reserve momentos offline.
2. Lugares:
Viva em pessoa
Você está numa festa e vê, pelo Facebook, que seu amigo parece estar numa balada um pouco mais animada. Conclusão imediata: você vai para a festa em que ele está. Chegando lá, sabe de uma outra festa. A noite pode continuar assim, pulando de galho em galho à procura do melhor lugar, da festa imperdível, participando de tudo. Esse é um comportamento incentivado pelas redes sociais, em que todo mundo está feliz e num lugar bacana. Para o autor, quando você rende a sua presença para o mundo digital, a vaidade se torna mais importante do que a felicidade.
3. Escolha:
Você sempre pode escolher nenhuma das alternativas anteriores
Os computadores são binários e foram feitos para escolhas entre duas alternativas. Todo arquivo, foto, música, filme, programa e sistema operacional é, na verdade, apenas um número. E para o computador, esse número é representado por sequencias de uns e zeros. Isso não é uma coisa ruim, é só como os computadores funcionam. Mas nos leva a fazer escolhas não como queremos, mas como os programas exigem. Você gosta da Dilma? Sim ou não. Observe que não há qualquer espaço para expressar nuances quando se lida com essas questões que são apresentadas como se duas respostas são as únicas opções possíveis. Computadores são tendenciosos e, consequentemente, criam um mundo de escolhas binárias que pode nos enganar.
4. Complexidade:
Você nunca está completamente certo
A internet é enviesada para reduzir a complexidade das coisas. O Facebook, por exemplo, reduz a complexidade dos diferentes níveis de relacionamentos que existem na realidade. Quando você quer compartilhar algo com seus amigos, o Facebook permite que você compartilhe esse conteúdo com alguns amigos e, caso opte, não com outros. No entanto, o Facebook sempre nos obriga a categorizar as pessoas em diferentes grupos. Mas não é assim que as coisas funcionam na realidade. A internet não é um mapa perfeito da realidade das nossas vidas, que é muito mais complexa.
5. Escala:
Um tamanho não serve para todos
Há uma tendência na net para a abstração. As pessoas estão mais interessadas em criar um site para resolver o problema do bairro, e fazer com que esse site se torne conhecido, do que de fato resolver o problema do bairro. É possível que esse site resulte numa mudança efetiva no mundo físico, mas muita gente confunde a representação de valor com o valor de fato de uma ação, diz o autor. Fazer parte de uma lista de discussão de um movimento ou dar um like em uma causa no Facebook não quer dizer que o usuário está realmente fazendo alguma coisa por essa causa. Muitos estão preocupados em escalar a mensagem, mostrar seu ativismo, mas essa abstração não necessariamente está associada à realidade.
6. Identidade:
Seja você mesmo
A nossa experiência digital não envolve contato pessoal, o que nos incentiva a ter um comportamento despersonalizado, afirma Rushkoff. Ao resistir à tentação de nos engajar anonimamente na web, permanecemos responsáveis por aquilo que dizemos e fazemos na web. O anonimato, muitas vezes, retira o elemento das interações e degrada as relações que construímos com os outros na internet.
7. Social:
Não venda seus amigos
Se você já deu um retweet, no Twitter, ou um share, no Facebook, de uma promoção em que pretendia ganhar um produto ou um serviço, você já vendeu os seus amigos, argumenta Rushkoff. As marcas usam a prática para espalhar sua mensagem pela web, mas o autor lembra que, com a internet, o marketing se tornou uma ferramenta ainda mais poderosa, e portanto devemos estar atentos para não explorar nossos amigos para o nosso ganho financeiro. A internet é predominantemente dominada por redes de contatos, mas vender esses contatos ameaça a força e o propósito das redes.
8. Fato:
Fale a verdade
Coloque algo falso na internet e, eventualmente, isso vai ser revelado uma mentira. E como o que você escrever on-line pode ser difícil de apagar, a melhor opção para quem se comunica na internet é falar a verdade.
9. Abertura:
Compartilhe, não roube
Na internet, estamos em contato, a todo o momento, com as ideias e o trabalho de outras pessoas. Tanto que pensar por si próprio deixou de ser uma atitude pessoal para se tornar uma coletiva, defende Rushkoff. Num sistema tão aberto como a internet, é fácil roubar o trabalho dos outros e não dar o devido crédito. Por isso é tão importante saber a diferença grande entre compartilhar e roubar.
10. Objetivo:
Programe ou seja programado
Esse é o capítulo que dá nome ao livro. Muitos diriam que ele apresenta uma falsa dicotomia – programe ou seja programado. Não saber programar não transforma ninguém em robô, mas entender como os computadores funcionam é importante para saber em que tipo de mundo estamos vivendo.
Créditos

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Edição 101 - A invisibilidade social

Pessoas
Quando tive acesso a esse material, apenas li o que já havia presenciado muitas vezes...
O que o psicólogo relata sobre invisibilidade social eu vi e vivi num 'colégio' muito afamado em Curitiba.
Minha filha teve a idéia de procurar um colégio para fazer cursinho pré-vestibular, procuramos alguns...
Num deles, a 'pessoa' que se apresentou como diretora nos levou a um tour pelas alas do colégio. A cena mais 'desgraçada' aconteceu num dos corredores, quando demos de encontro com uma zeladora. A jovem senhora se encolheu toda, de encontro à parede, para que nossa 'comitiva' passasse. Como não sou filho de chocadeira, cumprimentei-a desejando um bom dia, ela olhou espantada, esperou a 'reação' da diretora e titubeante respondeu ao cumprimento.
Minha filha pediu que fossemos embora daquele lugar... ela disse não ter paciência para ficar ou estudar num local como aquele, mesmo oferecendo os mais incríveis recursos didáticos, porém sem a menor sensibilidade para tratar o 'homem'...
A Educação, em casa, é um dom que precisamos resgatar



TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO
O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE
'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são ’seres invisíveis, sem nome’.

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da ‘invisibilidade pública’, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência’, explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano.

‘‘Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão’’.

Acompanhe o relato da experiência:

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.

Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo.

No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: ‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
Sentindo na pele
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida.

Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

Depois de 8 anos trabalhando como gari
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

Na volta para casa, para o mundo real
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei.

Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma ‘coisa’.

''Ser ignorado é uma das piores sensações que existem na vida!''

Respeito: passe adiante! 
Todos nós nascemos originais e morremos cópias.
(Carl J. Junge)

Fonte:

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Edição 94 - Só te pegam se for amigo de famoso

Pessoas
A que ponto chegamos...
Quem não famoso ou pelo menos amigo de famoso tá morto
Reflitam

Jurerê exige celebridades de verdade em Florianópolis


A primavera árabe e o inverno em Wall Street inspiram o verão brasileiro: um grupo de 19 patricinhas florianopolitanas montou acampamento, na manhã desta terça-feira (3), nas areias de Jurerê Internacional. As moças divulgaram um manifesto exigindo a presença de celebridades de verdade nos beach clubs da região. De acordo com a líder do #OccupyJurerê, Sarah Kayumi, o réveillon deixou muito a desejar e, por isso, elas estão querendo fazer a sociedade refletir: quem realmente podemos qualificar como famoso?
“Temos que parar com essa cultura de celebridades que precisam de apostos”, afirma Sarah, citando como exemplo Collin Egglesfield, ator de uma série qualquer, e Jaleel White, que faz um personagem aleatório. “E o tal do Rohan Marley, faz o que além de comer a Isabeli Fontana?”, revolta-se. Outra militante do grupo, Jeanne Molline, diz que Florianópolis precisa de gente qualificada, com pelo menos uma novela das 8 no currículo.
Em relação aos jogadores de futebol, as meninas são unânimes: já chega de brasileiros, elas querem nomes como David Bechkam, Cristiano Ronaldo e Francesco Totti. “Pode ser até a Hope Solo, porque a gente não tem preconceitos”, afirma Sarah, lembrando que Neymar não deve nem saber o que fazer com uma mulher. Ela acha que as pessoas têm que parar para pensar, e as mulheres têm que parar de se pegar com quem não é uma celebridade real.
As meninas ficarão acampadas por tempo indefinido em frente ao Taikô, onde usam o banheiro. Em relação à alimentação, elas não se preocupam. “Sempre tem um paulista idiota para pagar açaí e drinks para a gente”, diverte-se Jeanne. Ela diz que a causa faz o sacrifício valer a pena. “Alguém precisava fazer isso, antes que os 99% começassem a se sentir à vontade para vir a Jurerê Internacional”, afirma, exultante.





Fonte:
laranjasnews

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Edição 92 - Livro que promete "cura" para homossexualidade causa polêmica

Pessoas
Tem louco para tudo...

O livro "Comprender y sanar la homosexualidad" ("Compreender e curar a homossexualidade", em tradução literal), do psicoterapeuta Richard Cohen, foi retirado da livraria virtual de uma grande cadeia espanhola de lojas de departamento diante da avalanche de protestos.
A Federação Andaluza de Associações LGTB (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais) afirmou nesta terça-feira (27) em comunicado que o grupo El Corte Inglés retirou o livro de sua livraria virtual, embora ainda permaneça em suas lojas.
Segundo essa organização, a empresa também pediu desculpas nas redes sociais às pessoas que se sentiram "ofendidas" pelo livro.

Cohen, que diz ter "curado" durante os últimos quinze anos a "milhares" de homens e mulheres que sentiam atração por pessoas do mesmo sexo, escreveu o livro a partir de sua própria experiência pessoal, já que garante que, após ser homossexual "durante décadas", voltou a ser heterossexual.
"Se estamos decididos, contamos com o amor de Deus e o apoio de outras pessoas, a cura é possível", ressalta Cohen em entrevista publicada no site da editora que traduziu o livro para o espanhol.
A decisão de retirar o livro de sua loja virtual foi tomada pelo El Corte Inglés após conhecer os protestos que sua venda suscitou na internet após uma iniciativa da Actuable, uma comunidade online de pessoas e organizações "que unem esforços para lutar contra as injustiças".
Em apenas três horas, segundo informou hoje em comunicado esta plataforma de ativismo, mais de quatro mil pessoas expressaram sua "indignação" pela venda do livro.
Para a Federação Andaluza de Associações LGTB, a retirada do livro é uma "vitória do ativismo".
"Foram de grande ajuda as ferramentas das novas tecnologias da informação e comunicação, que permitiram uma pronta e decisiva atividade por parte dos cidadãos", destacou esta organização em comunicado.
Na opinião da organização, o livro pode provocar "não só a desinformação radical sobre a própria classe LGTB, mas uma clara ameaça para os jovens homossexuais e transexuais e suas famílias baseada nos tão condenados e temidos tratamentos reparadores".

Fonte:
gdp

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Edição 89 - Internação a força para usuários

 Pessoas
Apresento aqui reportagem sobre tratamento de dependentes químicos.
O foco é se tratamento à força apresenta resultados satisfatórios.
Apesar de não viver o problema diretamente, tenho contatos com dependentes e familiares de dependentes, e essa proximidade me levou a acreditar que o poder público precisa atacar as duas pontas do problema:
- o usuário; e
- o tráfico.
Para o tráfico a política é clara, enquanto para o usuário ou dependente ainda não.
Defendo a criminalização do uso de ilícitos, como drogas, etc..., e que esse uso acarrete em pena.  
Acredito que, no momento de lucidez, é preciso apresentar ao dependente a opção de escolha entre responder pelo ato ou tratamento. Entendo que deixa-lo optar ou não pelo tratamento não seja a melhor opção.
Aguardo questionamentos e convido ao debate.
Boa leitura

Internar à força resolve?

A boca ferida, maltratada pelo uso contínuo de cachimbos precários, era uma das poucas partes do rosto de R. que o cobertor marrom e sujo deixava entrever. O corpo miúdo poderia facilmente ser confundido com o de um garoto de 14 anos. Os passos que o conduziam para fora da Favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, eram apenas resignados, não mais relutantes. Enquanto caminhava, R. experimentava momentos de lucidez nos quais tentava resumir sua trajetória. Aos 25 anos, viciado em crack, sem ter onde dormir, exceto a rua, ele enfrentava o quarto dia sem comer. No dia 19 de julho, foi encontrado e levado à força pela equipe da Secretaria de Assistência Social do município do Rio de Janeiro. “Se for a salvação para mim, eu vou. Sabe por quê? Porque eu tô vendo que se eu ficar aqui, fumando oito, nove pedras por dia, eu não vou aguentar mais. Eu vou morrer.” Antes das 10 horas da manhã, R. já embarcara numa das quatro vans da prefeitura que levaria os usuários de crack recolhidos ali à delegacia e, depois, a algum abrigo para tratamento de dependentes químicos.
Dependentes químicos menores de idade são levados para internação compulsória em operação da Secretaria de Assistência Social do Rio. As operações começaram em maio e já recolheram mais de 1.300 pessoas

A ação da Secretaria de Assistência Social carioca é estridente. Desde maio, três vezes por semana, os agentes sobem os morros da cidade que continuam sob domínio do crime organizado para levar, na marra, os dependentes de crack que povoam as cracolândias da cidade. ÉPOCA acompanhou uma dessas operações no final do mês passado. O trabalho só é possível porque é apoiado por policiais civis e militares, empunhando armas de grosso calibre. Antes dos agentes, o blindado da PM conhecido como “caveirão” sobe o morro. Há troca de tiros entre a polícia e traficantes. Abordados pelos agentes, os usuários costumam reagir de modo arredio. A resposta vem na mesma proporção. O porte físico avantajado e a experiência como segurança de boate, constantes entre os agentes da secretaria, possibilitam que eles terminem por dominar os dependentes, embora com dificuldades.
As operações já resultaram no acolhimento de 1.319 pessoas (1.065 adultos e 254 crianças e adolescentes) em cracolândias. Segundo a prefeitura do Rio, nas áreas onde os viciados são tirados das ruas, o índice de pequenos roubos e furtos costuma cair até 50% nos primeiros dias. Depois de levados das favelas, crianças, adolescentes e adultos têm destinos diferentes. Todos os menores de 18 anos encontrados, de quem o Estado passa a ser o tutor, ficarão cerca de três meses internados contra a própria vontade (e de sua família, eventualmente) em alguma unidade terapêutica da prefeitura. São casas com psiquiatras, clínicos gerais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e grades. Grades por todos os lados. A prefeitura do Rio está convencida de que, sem elas, de nada adianta ter os melhores profissionais. A recuperação seria inviável. Ainda assim, nem sempre se consegue evitar a fuga dos pacientes. Para os adultos, a internação compulsória ainda não é a regra, embora já ocorra em alguns casos, sempre autorizados por um juiz. A prefeitura do Rio afirma que gostaria de adotá-la em larga escala, mas que ainda não encontrou um meio legal de promovê-la.
A medida de internação à força do Rio de Janeiro é pioneira, tem provocado polêmica, mas conquistado cada vez mais adeptos entre os gestores públicos. No Congresso, tramita um projeto de lei que propõe extinguir a necessidade de ação judicial para internar alguém à força. No governo federal, há autoridades simpáticas à ideia. Em São Paulo, onde há a maior cracolândia do país, depois de dois anos de uma política de convencimento de dependentes para que aceitassem voluntariamente ser tratados, a experiência carioca poderá ser repetida em breve. A Procuradoria-Geral da cidade deu um parecer favorável à internação compulsória de usuários de crack. A decisão agora cabe ao prefeito Gilberto Kassab, que já admitiu publicamente ver a internação forçada como uma resposta para o histórico problema do município. Estima-se que, pela cracolândia paulistana, perambulem quase 2 mil pessoas diariamente. A internação na marra funciona? Representa uma solução para as famílias que sofrem o drama de ter dependentes em crack?
A despeito das críticas daqueles que veem na proposta apenas uma tentativa de limpar as ruas, diversos motivos empurram os governantes à medida extrema da internação compulsória. A droga surgiu no Brasil no fim da década de 1980 e ficou restrita aos grandes centros urbanos e às populações de classe baixa por mais de uma década (leia o quadro abaixo). Nos últimos anos, o crack se espalhou pelo país, atingiu todas as classes sociais e ganhou contornos de epidemia. Nas eleições presidenciais do ano passado, o combate à droga emergiu como um dos assuntos mais discutidos da campanha. Na ocasião, a então candidata petista, Dilma Rousseff, chegou a declarar que o crack era “uma das questões mais desafiantes” de sua futura gestão.
Não existem estatísticas sobre o número de usuários no Brasil. Uma estimativa feita pela Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, com base nos dados do Censo de 1999 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sugere que eles sejam 1,2 milhão de pessoas. O governo federal deverá divulgar nas próximas semanas os resultados da maior pesquisa já feita sobre o assunto no país. Foram ouvidos 50.890 estudantes de ensino fundamental e médio em todas as capitais e no Distrito Federal. Deles, 0,6% admitiu já ter usado crack ao menos uma vez na vida. Parece pouco se comparado ao número dos que já provaram maconha (5,7%) ou álcool (60,5%). Mas não é. “As pessoas de bom-senso sabem que estamos diante de uma epidemia de crack”, diz o médico Drauzio Varella, favorável à internação compulsória.
A comparação entre o número de usuários de crack e os de outras drogas, como maconha e álcool, também não revela a magnitude dos prejuízos físicos e sociais que cada uma dessas drogas produz. “Existem dois tipos de usuário: aqueles que usam compulsivamente a droga até acabar e que, tão logo acabe, partem em busca de mais e aqueles que fazem um uso controlado da substância”, afirma o psiquiatra Elisaldo Carlini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “A grande maioria dos usuários de crack pertence ao primeiro grupo.” A necessidade de repetir o êxtase obtido no consumo da pedra pode levar o viciado a abandonar a própria casa e a família e a cometer crimes. Maltrapilhos, vagando pelas ruas em meio a lixo e entulho e sob o constante delírio provocado pelas baforadas de crack, eles parecem estar completamente desprovidos da capacidade de escolher, de exercer as próprias vontades com autonomia. De acordo com os defensores da medida, esse estado degradado dos dependentes justifica a internação compulsória.
A vida de A., de 14 anos, é uma sucessão de evidências favoráveis a esse argumento. Viciada em crack desde os 9, ela chegou a se prostituir para comprar a pedra. Nas cracolândias, contraiu HIV, sífilis e tuberculose. Internada compulsoriamente no Rio há dois meses, tenta se recuperar do vício. Simpática, revela, ao fim de cada frase triste, um sorriso banguela. O dente perdido é uma das consequências de sua compulsão química. Desesperada para fumar e sem dinheiro, aos 11 anos A. surrupiou uma pedra de R$ 5 do estoque de um traficante. Descoberta, levou uma surra que lhe extirpou parte do sorriso. Nas regras de conduta rígidas do crime, é razoável considerar que A. teve sorte de não ter sido morta. Os criminosos parecem ter entendido antes do Estado o potencial devastador do crack. Nas cadeias brasileiras sob mando do crime organizado, a lei tácita dos presos é taxativa: é proibido o consumo de crack atrás das grades. “Nos presídios do país, as facções chegaram à conclusão de que era melhor abolir o crack porque o uso acaba por interferir na hierarquia da cadeia e atrapalha o negócio. Se você fuma crack dentro da cadeia, toma uma surra que nunca mais esquece. E, se você trafica, eles te matam”, diz Drauzio Varella.
Fora dos presídios, nem o Estado nem as famílias conseguiram exercer um controle sobre o uso do crack tão estrito como o imposto pelas facções criminosas. Nenhuma das tentativas feitas pela camareira Terezinha dos Santos, de 38 anos, do Rio de Janeiro, de amarrar os pés e as mãos da filha para mantê-la em casa funcionou. Viciada em crack, era comum que J. passasse temporadas fora de casa. “Ela saía de casa arrumada, com uma roupa bonita. Voltava dias depois, com outra roupa, fedendo, machucada, faminta e agressiva”, diz Terezinha. “A gente sabia que ela saía, mas não sabia se voltava.” Da última vez que fugiu para a cracolândia, J. não voltou. Foi encontrada pela equipe de assistência social do Rio dez dias depois de ter saído de casa. Ela resistiu à abordagem e não admitia estar grávida de oito meses. Como já tinha 22 anos, não poderia ficar internada compulsoriamente sem uma decisão judicial. Depois de capturada pela assistência social, ela teria direito a sair do abrigo.
Uma usuária de crack na Favela do Jacarezinho, no Rio. Aparentando estar grávida, ela se recusava a ser internada

A prefeitura do Rio e a mãe da garota recorreram ao Judiciário. “Foi uma luta para conseguir uma decisão judicial que obrigasse ela a ficar internada”, diz Terezinha. J. passou o fim da gravidez num quarto de hospital vigiado por policiais, que a impediram de fugir. Depois de nascer, o bebê teve de passar por uma desintoxicação durante dez dias. “Ela não tinha noção do que estava fazendo, não tinha como decidir nada, e isso era claro. Mas eu não conseguia interná-la à força porque o processo judicial é complicado”, diz a mãe. A depender do Legislativo, é possível que outras mães sejam poupadas do périplo de Terezinha. O deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) propôs, em projeto de lei, extinguir a necessidade de uma decisão judicial para internar um dependente à força. A palavra de um médico bastaria como aval para que a família ou o Estado ponham, na marra, crianças ou adultos em hospitais. A proposta já foi aprovada na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados e deverá ser encaminhada ao plenário nos próximos meses. Se aprovada, permitiria uma onda de internações compulsórias.
Um usuário de crack de 25 anos espera pelo transporte que o levará ao abrigo municipal. Ele aceitou a internação porque temia morrer do vício

A aprovação da lei pode gerar uma grande discussão judicial, já que alguns juristas interpretam-na como inconstitucional, por ferir o direito de ir e vir garantido aos cidadãos pela Carta Magna de 1988. A Ordem dos Advogados do Brasil manifestou-se publicamente contra a medida da prefeitura do Rio. “As pessoas maiores de idade, salvo se interditadas, podem praticar todos os atos da vida civil: podem votar, podem casar, ir aonde quiserem. Em hipótese alguma, podem ser compulsoriamente internadas. Vou até mais longe: se o Kassab e os outros governantes insistirem nisso, correrão o risco até de parar num tribunal penal internacional por praticar crime contra a humanidade”, afirma o jurista Wálter Maierovitch. Os defensores da medida lembram que a mesma Constituição garante o direito à vida aos cidadãos. “Vamos botar na balança: o que é mais importante? O direito à vida e à saúde ou o direito de ir e vir?”, diz o promotor Marcelo Luiz Barone, de São Paulo. Barone faz parte do grupo do Ministério Público paulista que se dedica a estudar formas de pôr em prática uma interdição judicial coletiva aos crackeiros da cidade. “O bem maior garantido pela Constituição é a vida do ser humano”, afirma.
O tema é especialmente sensível porque, há mais de 20 anos, o movimento mundial antimanicomial luta para pôr fim aos hospitais psiquiátricos, em que se encarceravam por décadas doentes mentais e dependentes químicos. “Nenhum país democrático do mundo tem instituições fechadas”, diz a vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio (PMDB), que acumula a função de secretária de Assistência Social. A despeito de ser integrante da gestão Kassab, Alda se opõe à internação compulsória. A Europa descreveu o caminho oposto àquele ao qual o Brasil parece rumar na tentativa de combater a dependência química. Diante dos maus resultados dos parques de consumo, em países como Suíça e Holanda, os governos locais optaram por criar as “narcossalas”, espaço em que o uso da droga é liberado, mas controlado, e em que se aplicam técnicas de redução de danos. De acordo com o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), nenhum país do continente adota medidas de internação compulsória.
Aglomeração de usuários de crack no bairro da Luz, em São Paulo, por onde circulam cerca de 2 mil pessoas por dia. A prefeitura estuda adotar a internação compulsória porque entende que os dependentes não são mais responsáveis por si mesmos

Nos Estados Unidos, o Estado propôs outra maneira de levar viciados ao tratamento. Criou cerca de 1.400 tribunais exclusivos para os usuários de drogas, em todo o país. Dependentes químicos apanhados com drogas, em vez de prisão, são obrigados a ficar internados para combater o vício. No Brasil, desde 2006, os usuários de droga não podem ser punidos com prisão. Os críticos da adoção da internação compulsória como política pública veem na medida uma reversão da tendência mais humanizada no tratamento aos viciados em drogas. Segundo essa visão, seria aberto um perigoso precedente para a reedição, no mundo real, de enredos como o do filme Bicho de sete cabeças, em que um usuário de maconha é internado à força num manicômio. O assunto divide até mesmo o governo federal. Segundo ÉPOCA apurou, o Ministério da Justiça aceita discutir a ideia da internação forçada. No Ministério da Saúde, há resistência.
Há ainda a discussão sobre a eficácia da internação compulsória. Os psiquiatras dizem que ela pode funcionar ou não – e que o sucesso da internação, voluntária ou involuntária, depende da reinserção social e do acompanhamento cuidadoso do paciente depois da alta. “Nos casos mais graves, a internação é a alternativa mais segura. O ideal seria que ninguém precisasse disso, mas a dependência química é uma doença que faz com que a pessoa perca o controle”, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, favorável à medida.
Baseado em sua própria experiência, João Victor Melhado, de 29 anos, coordenador de uma casa de tratamento de dependentes químicos, é taxativo ao discordar e dizer que internar à força não funciona. Durante seis anos, ele foi viciado em crack. Chegou a gastar R$ 1.200 por mês em drogas. O desespero da família de classe média, do interior paulista, levou-o a nove internações. Numa delas, foi carregado na marra. “Acordei com três caras em volta de mim. Eles me algemaram e me enfiaram num camburão. Eu nem sabia se estava sendo levado para a prisão. Só descobri depois de chegar lá que estava numa clínica particular de recuperação”, diz Melhado. Em dois meses, ele conseguiu fugir do lugar e voltou ao crack. Sua recuperação só aconteceu quando, em 2009, por vontade própria, ele se internou. Passou um ano em tratamento. Está há dois anos sem usar drogas e agora trabalha para recuperar outros jovens. “Não adianta chamar ambulância, forçar, enjaular. Eu já passei por isso e sei que não recupera ninguém”, afirma Melhado.
A garota A., do Rio, afirma que é somente graças à internação forçada que ela está viva. Faltava à menina discernimento e condições psíquicas de pedir ajuda. “Cheguei aqui pesando 23 quilos. Agora estou com 50 e poucos. Aqui é tudo bom, tem comida na hora certa, os educadores são bons”, diz. Ainda assim, o comportamento de A. não dissimula a dificuldade da jornada. Entre os sorrisos e as brincadeiras, ela implora a uma das educadoras um cigarro para saciar sua fissura.

Além da discussão legal, médica e filosófica, há problemas práticos. O Estado brasileiro dispõe de escassas vagas para internação – compulsória ou não – e tratamento de dependentes químicos. Em São Paulo, há 317 leitos para esse fim, entre parcerias com instituições privadas e o serviço da própria prefeitura, criado no ano passado nas instalações de um antigo motel. O problema se repete sistematicamente nos grandes e pequenos municípios do Brasil. E manter essa população internada sai caro. No Rio de Janeiro, cada criança abrigada compulsoriamente no serviço da prefeitura custa cerca de R$ 3 mil por mês. Em São Paulo, a manutenção de hospital com 80 leitos municipais exige R$ 1,3 milhão mensais.

Uma alternativa tem sido encaminhar dependentes a comunidades terapêuticas, a maioria ligada a instituições religiosas. Uma das maiores em atividade no Brasil, a católica Fazenda da Esperança abriga quase 2 mil pessoas em 55 unidades espalhadas pelo país. O tratamento, que dura um ano, consiste em manter uma rotina de trabalho e convivência comunitária e exercitar a espiritualidade. Não há remédios ou acompanhamento médico. Só são aceitos dependentes que queiram se tratar. Desde janeiro, a Fazenda da Esperança firmou uma parceria com a prefeitura de São Paulo e tem tentado convencer os usuários da cracolândia paulistana a se internar. Até agora, apenas 12 aceitaram a ideia. “O prefeito Kassab veio aqui, demonstrou sua preocupação de não saber o que fazer, eu disse a ele que podia oferecer o nosso jeito”, afirma o idealizador do projeto, o frei alemão Hans Stapel. “Mas o alertei de que não aceito mudanças e não vou internar ninguém à força.”
Segundo Stapel, cerca de 80% dos pacientes tratados por seu método se mantêm distantes da droga, um porcentual de sucesso superior à taxa de recuperação média das clínicas, que recuperam entre 20% e 30% dos dependentes. O papel da religião na recuperação dos viciados provoca controvérsia. “A dependência química é uma doença complexa e requer um tratamento complexo. Não vai ser com oração que você vai tratar adolescente dependente de crack”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. Mas trabalhos realizados por psiquiatras têm demonstrado que a religião pode funcionar como um meio de reinserção social e afastar o risco da dependência. Em 2004, uma pesquisa feita pela Unifesp com jovens moradores de favelas de São Paulo em que havia prevalência de tráfico de drogas mostrou que aqueles que não se tornavam dependentes químicos atribuíam sua distância dos narcóticos ao respeito à mãe e, em segundo lugar, à religiosidade.
Não há respostas fáceis para o tratamento dos dependentes químicos, especialmente no caso de uma droga tão destrutiva como o crack. “A internação compulsória é um recurso extremo, e não podemos ser ingênuos e dizer que o cara fica internado três meses e vira um cidadão acima de qualquer suspeita. Muitos vão retornar ao crack. Mas, pelo menos, eles têm uma chance”, diz Drauzio Varella. Longe de ser uma solução ideal, a internação compulsória talvez seja a única resposta para os casos mórbidos criados pelo vício em crack.


Créditos:
revista epoca

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

R$ 4 bilhões contra o crack

Pessoas
Outro dia li uma entrevista de um especialista que defendia o tratamento 'forçado' de usuários de droga.
Fique me questionando até onde ele poderia estar certo ou errado, já que o tema é controverso.
Em função de não vivenciar diretamente a situação, a opinião passa a ser em função daquilo que leio e ouço.
Gostaria de ter relatos ou depoimentos de pessoas que passam ou passaram pelo problema.
Enfim

Governo federal ampliará atendimento a usuários com ambulatórios móveis e acompanhamento temporário em residências terapêuticas



O governo federal lançou ontem o segundo plano de enfrentamento ao crack em menos de dois anos. A previsão é que sejam investidos R$ 4 bilhões até 2014 com ações estruturadas em três eixos: tratamento, prevenção e policiamento. O plano anterior, de maio de 2010, tinha um programa baseado nesses mesmos eixos, mas com uma quantia menor destinada a ações de combate à droga: R$ 400 milhões.

Apesar de o novo plano, que leva o slogan “Crack, é possível vencer”, ter medidas mais amplas relacionadas ao tratamento dos dependentes e à prevenção do uso da droga, especialistas avaliam que o sistema público de saúde ainda se mostra incapaz de tratar adequadamente os usuários. Hoje, a epidemia do crack atinge 1,5 milhão de pessoas em 91% das cidades brasileiras.
Segundo estudo divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 63% das cidades brasileiras enfrentam problemas como falta de leitos para internação e escassez de profissionais especializados em dependência química. “O Brasil não tem uma rede assistencial para o dependente de crack e não há investimento suficiente em clínicas públicas especializadas”, ressalta o médico psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que possui pós-doutorado na área pela Universidade de Londres.
O médico psiquiatra Dagoberto Requião, especialista na área, critica o novo plano por não prever a capacitação específica de profissionais na área de saúde. Segundo informações do governo federal, 210 mil educadores, 3,3 mil policiais militares e 170 mil líderes comunitários serão capacitados para promover a prevenção ao uso de drogas em escolas públicas e na comunidade. “Os usuários de crack podem desenvolver esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão, além de, em pacientes abstinentes, haver efeitos colaterais que necessitem de acompanhamento psiquiátrico. Serão necessários mais médicos, ainda há pouca gente capacitada”, enfatiza.
Entre as novas medidas programadas está a instalação de enfermarias em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) focadas em atendimentos de usuá­­rios de drogas, a criação de consultórios de rua em locais de maior incidência da droga e a intensificação de ações de inteligência de combate ao tráfico. O plano prevê um total de 308 consultórios de rua em todo o país, até 2014. Esses ambulatórios móveis contarão com a presença de médicos, enfermeiros, psicólogos e lideranças locais. São eles que vão determinar se é necessária a internação compulsória, medida polêmica que divide a comunidade médica. “O consultório na rua não serve para internação compulsória. Serve para proteger a vida”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. De acordo com ele, o Esta­­tuto da Criança e do Adolescente (ECA) já prevê a internação de crianças e adolescentes que corram risco de vida.
Outra novidade do plano é a criação de enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Até 2014, o Ministério da Saúde prevê o repasse de recursos para a criação de 2.462 leitos, que serão usados para atendimentos e internações de curta duração durante crises de abstinência e em casos de intoxicações graves.
Fonte:

domingo, 4 de dezembro de 2011

Nova Droga russa é mais devastadora que o OXI

Pessoas
A que ponto chega o ser humano...
Por essas e outras que busco cada vez mais diálogo dentro de casa, com a família, esposa e filha.
O mundo é cruel.
Se o OXI já era o lixo do crack, esse tal de 'krokodil' é o que?!
Reflitam


Nova droga russa é mais devastadora que o OXI


Originária da Rússia, uma nova e devastadora droga se espalha rapidamente pela Europa, preocupando autoridades que a consideram mais devastadora que o Oxi. O Krokodil (Crocodilo) traz em sua composição a codeína (Um derivado do ópio), misturados em um coquetel composto por uma série de produtos químicos que envolvem:
Solvente de tinta;
Ácido clorídrico, 
Iodo; e
Fósforo vermelho.
No Brasil, a codeína é vendida apenas com receita médica, mas na Rússia o produto é o analgésico mais popular do país. Usada por praticamente a metade da população, ela é responsável por cerca de 25% do lucro de algumas farmácias. Por este motivo a indústria farmacêutica e os empresários do ramo lutam para que o governo não torne a droga restrita à venda com prescrição.
Outros países onde a codeína é vendida sem receita são o Canadá, Israel, Austrália, França e Japão. Neles existe um grande risco do krokodil se tornar uma epidemia como a que atinge atualmente a Rússia. Abaixo você verá dois vídeos mostrando os resultados nefastos do uso desta droga.
O nome krokodil deve-se ao efeito que a nova droga causa na região cutânea onde é injetada, causando um tom esverdeado, que progride para uma espécie de 'escama' semelhante a dos crocodilos.
Com o uso prolongado os vasos sanguíneos acabam se rompendo, causando a morte lenta dos tecidos da pele, que acabam por se soltar.
Os usuários têm uma expectativa de vida estimada entre 01 a 03 anos, sendo que aqueles que conseguem sobreviver aos efeitos colaterais precisam passar por amputações.
Outras complicações são a incidência de meningite e pneumonia, acompanhadas de problemas motores, de fala e de visão.
Os efeitos do krokodil são semelhantes aos da heroína, porém o seu custo é 10 vezes inferior.
O krokodil é feito com substâncias extremamente tóxicas que literalmente apodrece a carne e ossos dos seus usuários deixando-os com aparência nem um pouco agradável.
Este post tem como objetivo chocar possíveis futuros usuários desta e de todas as outras drogas, para que em uma futura oportunidade de usá-las a resposta seja um seguro e sonoro NÃO.










Créditos:
elogiosounao
hipernovas
portalbatistapereira

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ziraldo é condenado à prisão por estelionato

Pessoas
Nem tudo que reluz é ouro
Nem tudo que balança cai
Dois pesos e duas medidas: Na sentença o 'meretíssimo' juiz diz que pelo fato dele ter notoriedade e prestígio perante o público infantil o torna "diferente".
Questiono: E os ladrões de colarinho branco; e os que são pegos em desvios e falcatruas onde as provas são mais explícitas; e, e, e, e, temos tantos 'es' que paramos por aqui...
Reflitam

Segundo a Justiça, o cartunista cometeu irregularidades ao ceder os direitos – e depois patentear – a logomarca de um festival em Foz do Iguaçu

 cartunista Ziraldo Alves Pinto, criador do personagem “Menino Maluquinho”, foi condenado ontem pela Justiça Federal no Paraná a 2 anos e dois meses de prisão e pagamento de multa pelo crime de estelionato. A pena foi aplicada em razão de irregularidades em um contrato com o poder público.
Na ação penal, o delito cometido por Ziraldo diz respeito a sua contratação para desenhar a logomarca do 1.° Festival Internacional de Humor Gráfico das Cataratas do Iguaçu. De acordo com a sentença do juiz federal Mateus de Freitas Cavalcanti Costa, o cartunista recebeu R$ 75 mil para criar a logomarca, dando a garantia de ceder de maneira perpétua o uso da identidade visual à fundação ligada à prefeitura de Foz do Iguaçu – responsável pelo evento – para uso nas demais edições. No entanto, Ziraldo registrou a marca no Instituto Nacional de Pro­­priedade Industrial.
Notoriedade
De acordo com a sentença, a notoriedade e o prestígio do réu agravam a conduta. “Sobretudo sua representatividade perante o público infantil faz com que o agir ilícito dele se revista de maior grau de reprovabilidade que o dos demais réus”, diz trecho da sentença. O juiz também entendeu que Ziraldo era a figura central do evento e sua atuação foi determinante para a consumação das condutas delituosas.
Pela idade do cartunista, a pena de prisão foi substituída por prestação de serviço e pagamento de salário mínimo mensal pelo prazo da pena de prisão substituída. O cartunista também terá de pagar multa de aproximadamente R$ 20 mil. Outras cinco pessoas, incluindo o irmão do cartunista, Zélio Alves Pinto, foram condenadas pelo mesmo crime. Todos faziam parte do grupo que no ano de 2003 organizou o festival em Foz.
Em abril, Ziraldo e alguns dos réus já tinham sido condenados pela Justiça Federal em uma ação cível por improbidade administrativa por irregularidades no mesmo contrato. Naquela sentença, o cartunista foi condenado a pagar multa de R$ 50 mil e, além de perder seus direitos políticos, ficou proibido de firmar contratos com o Estado e União e de receber benefícios ou incentivos fiscais pelo prazo de cinco anos. A reportagem tentou entrar em contato com o cartunista, mas ele não respondeu ao pedido de entrevista.
Fonte: