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domingo, 19 de janeiro de 2014

Edição 147 - A copa do Mundo ou o Mundo da Copa

Muitas são as semelhanças entre os fatos por onde a "Copa do Mundo" é realizada.
Se fala tanto em legado, mas o questionamento a ser feito é:
Legado a que preço e para quem?


Copa de 50 teve várias semelhanças com o Mundial deste ano: intenção de mostrar ao mundo a “grandeza” do Brasil, dinheiro público na organização, briga de autoridades pela paternidade de estádio, atraso de obras e uma eleição presidencial logo depois.

2014 começa com duas semelhanças em relação a 1950. Ambos são anos de Copa do Mundo. E de eleições para presidente, governador, senador e deputado. Do lobby do ex-presidente Lula para garantir o evento no Brasil, em 2007, passando pela disputa regional para definir as 12 subsedes e pelas manifestações de 2013, o cenário político atual está fresco na memória. Mas como foram e quanto custaram os preparativos para 1950?
Operários limpando o Rio Belém, na frente do Ferroviário – junho de 1950
Há dois anos, quatro jornalistas levantaram histórias do planejamento feito para a o Mundial de 50. O trabalho resultou no livro 1950: O preço de uma Copa (Editora Letras do Brasil). “Existe todo tipo de obra sobre o que aconteceu dentro de campo na derrota para o Uruguai, o que queríamos era desvendar o que houve fora dele”, diz Murilo Ximenes, um dos autores.
O Colosso da Vila Capanema, em 1950
Não foi uma tarefa simples – a começar pela dificuldade de separar gastos públicos e privados e pela falta de comprometimento com a prestação de contas na época. Em uma soma das despesas possíveis de serem levantadas, com valores corrigidos, a Copa teria custado R$ 437 milhões. O valor é 64 vezes menor que os R$ 28 bilhões estimados para 2014.
Em 1950, a ampliação das arquibancadas com madeira
Fatores externos
Essa, porém, é apenas uma parte da história. O primeiro Mundial no Brasil só ocorreu graças a uma conjunção de fatores políticos internacionais. Passada a II Guerra, o mundo era um lugar confuso em 1946. Não fosse o conflito bélico, seria o ano da quarta Copa da história (a de 1942, pleiteada pela Alemanha nazista, já havia sido cancelada).
Com a Europa em cacos, a solução foi dar um tempo e planejar um novo campeonato, previamente estipulado para 1949. Onde? Na América do Sul. A primeira opção seria a Argentina, mas não houve acordo entre as autoridades do país e a Fifa. Coube ao Brasil sediar a competição.
Vista aérea do Estádio Durival Britto na Copa de 50
Era a deixa para colocar o “gigante” no mapa-múndi. O primeiro passo seria a construção de um novo estádio, na então capital do país, o Rio de Janeiro. Mas não poderia ser qualquer estádio, precisava ser o maior do mundo.
“No começo da Guerra Fria, havia um consenso de que para causar impacto, para conquistar respeito internacional, era necessário fazer obras que impactassem pelos números”, diz André Mendes Capraro, do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nesse contexto, ter a paternidade político-­eleitoral do empreendimento era fundamental.
Nascia o principal imbróglio da Copa. Eleito presidente para o período 1946-1950, Eurico Gaspar Dutra ficou de fora das articulações para trazer o evento para o Brasil. Mas esteve no eixo da “Batalha do Estádio Municipal”.
Jogo da Copa com andaimes da construção da cobertura do Maracanã: competição começou com o estádio inacabado
Dutra foi o responsável pela nomeação do prefeito do Rio, Ângelo Mendes de Ribeiro, em 1947. Ribeiro defendia que o estádio fosse construído às margens do Rio Maracanã, na Zona Norte. Então deputado federal e rival de Dutra, Carlos Lacerda fez uma ferrenha campanha contra os gastos com a obra e defendia que a construção fosse em Jacarepaguá, a 40 quilômetros do Centro da cidade, na Zona Oeste. O aliado do presidente venceu e o Maracanã saiu do papel a um custo atualizado de R$ 416 milhões, que corresponderam a 95% do total dos gastos com a Copa.
“Pelo que vemos na construção dos estádios de hoje, até que a obra do Maracanã andou rapidamente”, afirma Lycio Veloso Ribas, autor do livro O Mundo das Copas (Editora Lua de Papel). Do começo da construção ao primeiro jogo do Mundial, entre Brasil e México, foram-se 22 meses. Nessa partida, contudo, andaimes seguravam a cobertura da arquibancada.
Dias depois, no confronto entre Brasil e Iugoslávia, o iugoslavo Mitic bateu com a cabeça em um ferro exposto da construção no vestiário e, ferido, só conseguiu entrar em campo depois de a partida ter começado.
O governador Moisés Lupion recebe o embaixador da Espanha, que veio assistir ao jogo da seleção do seu país contra o time dos Estados Unidos. Foto de 23 de junho de 1950
Outras obras
Dos demais cinco estádios, apenas o Independência, em Belo Horizonte, foi construído para a Copa, a um custo estimado de R$ 10 milhões atual­mente. Todos os demais já existiam e receberam pequenos ajustes – algo bem distante do atual padrão Fifa. Na Ilha do Retiro, no Recife, as adaptações foram feitas em um mutirão de torcedores do Sport.
O estádio pernambucano foi escolhido a dois meses do início dos jogos e foi palco de uma única partida: Chile 5 x 2 Estados Unidos. O motivo: não havia nenhuma subsede nordestina. Como comparação, do total de 22 jogos do Mundial, oito foram no Maracanã e seis no Pacaembu, em São Paulo.
A propósito: mesmo com o “bônus” do maior estádio do mundo, o candidato do partido de Dutra na eleição presidencial, Cristiano Machado (PSD) ficou em terceiro lugar, com 21,49% dos votos. O nome da UDN de Lacerda, Eduardo Gomes, ficou em segundo, com 29,66%. Quem ganhou foi Getúlio Vargas (PTB), com 48,73%, que pouco, quase nada, se meteu nos assuntos da Copa.

Créditos
http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1440785&tit=Politica-de-chuteiras

sábado, 2 de março de 2013

Edição 143 - Passeio Público

Passeio Público
Passeie pelo Passeio
Caminhe pelo Passeio
Use o Passeio



O Parque da magia
Criado como “antídoto” contra cólera e malária, Passeio Público também foi local de inacreditáveis acontecimentos para a mirrada população curitibana do século 19


Jovens caminham pelo Passeio Público, no início do século 20

O primeiro parque público de Curitiba – e do Paraná – não foi projetado para o lazer, mas sim pela necessidade de uma ação higienista, alertada pelo Dr. Muricy (José Cândido da Silva) em 1858. É que as águas paradas do Rio Belém, na curva do Boulevard 2 (atual Av. João Gualberto), causavam um cheiro daqueles em dias de calor e acumulavam resíduos a ponto de ocasionar uma possível epidemia de cólera, malária ou varíola. O terreno pantanoso virou o que hoje é o Passeio Público da capital paranaense.


Fotógrafo Helmuth Wagner fotografava muito o Passeio quando ele foi inaugurado. Wagner adorava registrar o contraste das sombras e das luzes no passeio. Acervo familiar: Helmuth Wagner

O local foi comprado pelo município, aterrado e inaugurado em 2 de maio de 1886. Foi nessa área alagadiça que diversas situações inéditas ocorreram na cidade – a população foi quase à loucura ao ver pela primeira vez a eletricidade, a partir de um foco elétrico instalado ali, um carrossel e, inacreditável: uma mulher voando em um balão.
Era uma Curitiba provinciana, governada por Alfredo D’Escragnolle Taunay: em 1886 haviam 15 mil habitantes e não mais do que 1.283 edificações na cidade. No livro Passeio Público: Primeiro Parque Público de Curitiba, da historiadora Cassiana Lícia de Lacerda, é possível ter uma ideia da sociedade da época. “A comida tinha preços ínfimos, era barata, farta e plácida, mas a sociedade desconhecia quase que completamente o que era luxo.” É de se imaginar o que aconteceu com essa população que, com seus trajes elegantes, frequentava o primeiro parque da cidade.



Momento de descontração no Passeio Público. Acervo familiar: Helmuth Wagner
Histórias
A chegada do carrossel, em 1888, foi um evento. A população o chamava de “máquina dos cavalinhos”. O carrossel, explica a historiadora, foi quase que uma revolução das máquinas, numa Curitiba em que o lazer se resumia a um sarau por mês, oferecido em clubes.
Uma multidão também lotou o Passeio Público no dia em que, pela primeira vez uma mulher, Maria Aída, subiu com um balão pelos céus de Curitiba – um voo frustrado, já que o balão acabou enroscado no lanternin da catedral. Bem neste dia, José Godoy, bufando de calor, resolveu se jogar em um dos lagos do parque para se refrescar, mas foi barrado pela polícia, quando já estava em seus trajes íntimos.
Portão do Passeio: entrada para pedestres. Acervo familiar: Helmuth Wagner
O Passeio Público também teve ares intelectuais quando em 1911, no fervor do helenismo, Curitiba coroou Emiliano Perneta como o príncipe dos poetas paranaenses. Ele se negou a ir até uma das ilhas de barco – não achava seguro. A ilha, chamada de Ilusão, recebe este nome em referência a uma das obras de Perneta. Lá, jaz o seu busto.
Quando o Rio Belém foi canalizado e se tornou navegável dentro do Passeio Público, primeiro surgiram os barcos e, depois, os pedalinhos. Acervo familiar: Helmuth Wagner
Nesse parque da magia, cogitou-se transformar os canais em locais de prática de natação, sem sucesso. Enquanto isso, nas ruas do Passeio, as pessoas faziam teste de baliza para tentar tirar a licença para dirigir. Havia muito movimento de pedestres, que literalmente ocupavam o parque, inclusive para ver os concertos a partir do coreto que hoje virou aquário. “É preciso dar novos fins ao Passeio. Não dá para aceitar que a história dele permaneça assim, desconhecida”, lamenta Cassiana.
O Passeio tem árvores históricas, como um carvalho que foi plantado na época de sua inauguração (1886) e que existe até hoje. Acervo familiar: Helmuth Wagner
O famoso portão e outras intervenções
É verdade. O Passeio Público tem um portão muito semelhante ao do Cemitério de Cães de Paris (Cemitière des Chiens de Asnière-Sur-Seine), e há uma explicação lógica para isso. O arquiteto Joseph Antoine Bouvard, contratado para ajudar nas reformas do Passeio, em 1919, trabalhou em obras do departamento de Sena (França), por isso é atribuído a ele também o projeto do portal do Cemitério de Cães. Conforme explica a historiadora Cassiana Lacerda, é provável que ele tenha retomado seus projetos e feito algo parecido por aqui.
A canalização do Rio Belém ajudou a evitar o surto de cólera, tão temido pelos higienistas. Acervo familiar: Helmuth Wagner
O europeu trouxe para os curitibanos outras novidades, como áreas de lazer no parque com concepção artística e paisagística de caráter haussmmaniano. Georges-Eugène Haussmann foi prefeito de Paris e considerado um grande remodelador da cidade que governou. “Ele criava paisagens naturais por meio de intervenções artificiais”, explica Cassiana. No Passeio, é possível ver esse tipo de arte na cerca que contorna o parque (feita de cimento, mas que imita troncos de árvores), nas grutas (uma delas feita semelhante a estalactites) e no antigo coreto, que imitava rochedos.
Os cisnes foram um dos primeiros animais a serem levados para o parque. Acervo familiar: Helmuth Wagner
O Passeio Público tem ainda outras peculiaridades. O primeiro parque infantil que a capital recebeu foi ali. O projeto era do arquiteto Frederico Kirchgässner – que projetou a casa modernista. O viveiro dos macacos, construído em 1932, tinha até lambrequins. E o Restaurante do Estudante, implantado durante o primeiro governo de Moisés Lupion, em 1950, após seis anos foi consumido por um incêndio. Foi nessa época que o novo restaurante Recreio do Garoto foi edificado e os barcos perderam espaço para os pedalinhos.
Pontes feitas com recursos artificiais imitam a natureza: técnica haussmmaniana. Acervo familiar: Helmuth Wagner
Momentos marcantes do Passeio Público
2 de maio de 1886 - O Passeio Público é inaugurado pelo presidente da província, Alfredo D'Escragnolle Taunay, mas ainda existem partes do parque que precisam ser finalizadas.
3 de agosto de 1886 - O Passeio é finalizado pelo sucessor da província, Joaquim d'Almeida Faria.
1888 - Curitiba ganha o primeiro carrossel da cidade. Nesse mesmo ano ocorre a desapropriação da Chácara de Nhá Laura, onde hoje é o Colégio Estadual do Paraná.
1920 - É inaugurado um novo Passeio Público, concebido pelo arquiteto Joseph Antoine Bouvard, com jardins de padrões 'hausmmannianos' e com o portão semelhante ao do Cemitério de Cães de Paris.
1932 - O Passeio recebe os primeiros animais. Depois chegou a ficar pequeno de tanto bicho: recebeu onças, tigres, jacarés, girafas, zebras, posteriormente transferidos para o zoológico.
1965 a 1966 - O Passeio sofreu intervenção de caráter significativo: a implantação do plano para o Passeio Público elaborado pelo Ippuc. A partir daí veículos não circularam mais pelo parque.
1973 - Até esse ano o Passeio era o único parque público de Curitiba. Depois começaram a aparecer outros. Ali a população ia para passear a pé ou de barco e admirar a natureza.
1974 - Ocorre o tombamento estadual do portão concebido por Bouvard.
1982 - Os animais começam a ser transferidos para o Zoológico de Curitiba, recém criado. Foi considerado o maior parque urbano do país.
1984 - Todo o Passeio Público é tombado pelo Estado pela importância de sua natureza e arquitetura.
Portão principal que lembra o portão do Cemitério de Cães de Paris. Acervo familiar: Helmuth Wagner
Intruso
Em uma das entradas do Passeio Público está o busto de Francisco Fasce Fontana. Lá, lê-se que o ervateiro teria doado o terreno para a construção do parque. Mas a verdade é que os terrenos foram adquiridos pela prefeitura, sem doações. Detalhe: o busto de Fontana foi retirado de seu túmulo.
Clima de inverno no Passeio Público. Acervo familiar: Helmuth Wagner
Pedestres entravam no Passeio pelos portões laterais, enquanto o principal era via de acesso dos carros. Acervo familiar: Helmuth Wagner
O Passeio Público na época da sua inauguração, ainda com cerca em madeira. Depois passou por reformas e recebeu as cercas atuais. Acervo da Casa da Memória/FCC
O parque ainda novo: só depois ele ganhou diversos equipamentos de diversão. Acervo da Casa da Memória/FCC
Passeata da festa da primavera. O autor da festa, Dario Velloso, no local em que foi realizada a festividade Olympica em honra ao poeta Emiliano Pernetta em 1911. Acervo da Casa da Memória/FCC
Melhorias no Passeio Público com a construção de uma ponte de concreto sobre o Rio Belém. Ao fundo o antigo viveiro dos macacos. Acervo da Casa da Memória/FCC
Viveiro de pássaros (antiga gaiola dos macacos), no interior do Passeio Público. Acervo da Casa da Memória/FCC
Vista do pavilhão de retretas (coreto) do Passeio Público, hoje transformado em aquário. Acervo da Casa da Memória/FCC
Pessoas posando em uma ponte sobre um lago no Passeio Público. Foto de 1909. Acervo da Casa da Memória/FCC
Coreto do Passeio Público. Acervo da Casa da Memória/FCC






Créditos
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/ocupe-passeio-publico/conteudo.phtml?tl=1&id=1349819&tit=O-parque-da-magia

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Edição 135 - Curitiba vai terceirizar espaços culturais

Pessoas
Quem queria ver espaços culturais novamente cheios, funcionando, está aí a alternativa...
Aquele que vencer a licitação poderá mudar o nome do espaço, do local, o famoso naming rights.
A Pedreira Paulo Leminski poderá ser 'rebatizada' com o nome de "Espaço Cultural Cervejaria Bebe Mais Uma, Companhia Aérea Caiu Mais Um ou Casa de Shows Tia das Candocas"...
Resta aguardar


Licitação concede à iniciativa privada a operação da Pedreira Paulo Leminski, da Ópera de Arame e do Parque Náutico por 25 anos



Um processo de concessão pública que estava obscuro veio à tona ontem na internet, via redes sociais. A prefeitura de Curitiba lançou edital de licitação para repassar à iniciativa privada a gestão e a operação da Pedreira Paulo Leminski e da Ópera de Arame, que ficam no Pilarzinho, e do Parque Náutico do Iguaçu, no Boqueirão. A abertura dos envelopes com as propostas das empresas interessadas está prevista para 4 de junho, às 9 horas.
O aviso de licitação foi publicado pela Secretaria Municipal de Administração (Smad) em 17 de abril no Diário Oficial do Município e na imprensa, mas sem qualquer outra divulgação por parte da prefeitura. O edital prevê a concessão por um período de 25 anos.
Pedreira Paulo Leminski será revitalizada pela empresa que vencer a concorrência pública
O superintendente de concessões da Smad, Wilson Justus, esclarece que não se trata de uma Parceria Público Privada (PPP), mas de uma concessão, nos moldes da que foi feita no Parque Barigui. “Quem vencer a licitação vai fazer a gestão dos três espaços por um prazo definido, mas o patrimônio será sempre do município”, destaca, lembrando que o contrato prevê a realização de alguns eventos públicos ao longo do ano, sem qualquer custo para o município.
No caso da pedreira, a reserva de eventos públicos será da seguinte maneira: uma data anual para show de grande porte; uma data anual para evento do calendário oficial da cidade; e cinco datas anuais para eventos que não sejam shows de grande porte.
Justus assegura ainda que o contrato impede que empresas que não sejam da área de eventos participem da concorrência. “Da forma como construímos o edital, os interessados têm de comprovar que são do ramo. Uma igreja evangélica, por exemplo, que quisesse explorar esses espaços, não seria habilitada.”
O livre trânsito de cidadãos e turistas também estaria garantido no contrato: “As pessoas vão poder continuar visitando esses locais sem pagar qualquer taxa, tirar suas fotos e fazer as paradas da Linha Turismo. Só quando houver algum evento privado será cobrado ingresso, como já acontece hoje. Os usuários não vão encontrar qualquer barreira, mas vão perceber as mudanças na qualidade e na frequência dos serviços prestados”.
Reformas
Para o superintendente, o modelo é ideal, porque os espaços serão revitalizados e mantidos em funcionamento sem que se gaste “um tostão” do dinheiro público. Ao contrário, a prefeitura ainda vai ganhar dinheiro com a concessão: no mínimo 4% da receita bruta, além do ISS, que é de 5%, segundo Justus. “Quem investir vai saber o que trazer para fazer o negócio funcionar, e esses espaços vão ganhar uma programação permanente, não vão mais ficar fechados. Para a Ópera de Arame, então, será ótimo: ela já está velhinha, precisando de reparos, e o investidor vai fazer tudo o que é preciso, consertar a cobertura, pensar no conforto térmico, na acústica etc.”.
Questionado sobre o fato de a concorrência não ter sido divulgada pela prefeitura, Wilson Justus respondeu que “talvez tenha havido um atropelo na comunicação, por causa do metrô”. A Gazeta do Povo tentou ouvir a Fundação Cultural de Curitiba sobre a concessão, mas a sua assessoria informou que o porta-voz da prefeitura nesse assunto é justamente Wilson Justus.
Créditos
gdp

sábado, 21 de abril de 2012

Edição 131 - O mocó mais caro do mundo

Pessoas
Edificações abandonadas por qualquer motivo, fatalmente se tornarão alvo de vândalos, ou de alguém que precisa de um teto para se abrigar.
Quando o alvo é um 'elefante branco', as notícias tomam outros rumos.

Criado para ser um símbolo de luxo e inovação, prédio giratório do Ecoville nunca foi habitado. Pichação reforça a imagem de abandono


Fachada do Suite Vollard: depois da pichação, segurança 24 horas

Em oito anos, o edifício Suite Vollard, no Mossunguê, passou de símbolo da inovação a ícone do abandono. Concebido para ser o primeiro prédio giratório do mundo com andares que se movem independentemente, ele foi lançado em novembro de 2004, mas nunca chegou a ser habitado. No mercado imobiliário, a opinião é unânime: o preço alto impediu a venda das unidades. Vazio, ele se tornou um troféu para os vândalos que marcaram sua fachada esta semana – e assumiram a proeza nas redes sociais.
O empreendimento foi criado pela extinta Construtora Moro. Naquela época, os apartamentos (todos com área privativa de 164 metros quadrados) podiam custar até R$ 800 mil, em valores não corrigidos. O valor do metro quadrado equivalia ao dobro da média dos empreendimentos de alto padrão na capital paranaense. O projeto não decolou, apesar dos esforços dos seus idealizadores para difundir a tecnologia, inclusive no mercado internacional. O Suite Vollard – nome de uma coleção de gravuras do pintor espanhol Pablo Picasso – foi notícia em publicações especializadas em arquitetura do mundo inteiro.
Em meados de 2008, a Spin Buildings, empresa da família Moro criada para administrar o empreendimento, foi em busca de novos parceiros e prometeu relançar o Suíte Vollard, depois de investir um montante de R$ 13 milhões em reformas internas e externas para adaptar a construção aos padrões do mercado.
Apesar da promessa, o relançamento nunca ocorreu. Enquanto isso, um outro tipo de público aproximou-se do local, tirando proveito da localização – uma rua de pouco movimento, sem saída. Vizinha do prédio, Odila Kramen afirma que a região do prédio é usada frequentemente como ponto de compra e venda de drogas. “É impressionante como os vândalos conseguem fazer isso no prédio inteiro de uma hora para outra. Até semana passada, somente o último andar do prédio estava pichado”, conta.
Ontem, funcionários de uma empresa de segurança estavam fazendo vistoria para conferir avarias. Um deles, que não quis se identificar, afirmou que a atual administradora solicitou vigilância de todo o edifício 24 horas por dia. Até então, não havia qualquer porteiro ou vigilante.
O abandono veio depois de uma sucessão de problemas. O Suíte Vollard esteve para ir a leilão duas vezes, em março e novembro de 2010. Para os leilão, os apartamentos foram avaliados por R$ 2,376 milhões. O valor total de avaliação para o edifício ficou em R$ 26,136 milhões – o que faz do empreendimento, provavelmente, o mocó mais caro do planeta.
Créditos
gdp

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Edição 128 - BPTran irá fiscalizar uso do pisca-pisca

Pessoas
Quando postei no Facebook minha indignação com os motoristas que não usam pisca-pisca nas conversões, fui criticado...
A PM resolveu agir, fazendo uso de suas atribuições, está fiscalizando e multando motoristas que não fazem uso do equipamento.
Se for para evitar pequenos acidentes, parabéns, porém se for atitude para arrecadar...




Os sustos e irritações gerados pelos motoristas que simplesmente se esquecem de ligar o pisca-pisca no momento de dobrar a rua devem se converter em volume maior de multas e perdas de pontos na carteira dos infratores. Isso porque o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) iniciou ontem (17) e seguirá por tempo indeterminado a Operação Pisca-Pisca, em nove cruzamentos para reprimir essa infração considerada grave pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê multa de R$ 127 e perda de cinco pontos.
Em relação ao ano passado, aumentou em 11,35% o total de batidas laterais, chamadas de abalroamento, nos primeiros três meses deste ano. “Esse é o acidente mais comum em situações que o motorista de trás é surpreendido pela manobra inesperada do carro da frente”, explica o tenente Ismael Veiga, do BPTran.
Além de fazer valer o cumprimento da legislação que prevê no artigo 196 a obrigatoriedade de usar o pisca-pisca, a operação pretende reduzir os acidentes, evitar situações constrangedoras e de violência no trânsito e garantir maior fluidez. “Vamos autuar com rigor. O motorista precisa assumir postura defensiva e de zelo pela qualidade do trânsito. Não usar o pisca-pisca vai na contramão disso”, acrescentou Veiga.

Flagrante

Durante o primeiro dia da operação, a cada meia hora, pelo menos 15 motoristas foram flagrados sem dar a seta. De acordo com a assessoria da Polícia Militar, em quatro horas de fiscalização, foram registradas 160 infrações. Entretanto, houve motorista autuado por mais de uma infração, como dirigir falando ao celular ou sem cinto de segurança, elevando para 240 infrações no primeiro dia da blitz.


Créditos
p o

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Edição 123 - Curitiba terá trânsito monitorado

Pessoas
No longínquo 1949, Eric Arthur Blair, mais conhecido como George Orwell escreveu o livro 1984.
Esta obra é conhecida como sendo o precursor do 'Big Brother'.
Em Curitiba mais um passo está sendo dado para que vivamos tal e qual os "heróis" confinados num programa de TV.
"Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado."
Sorria, você está sendo filmado






Central de Controle Operacional de Curitiba começa a funcionar


Serviço que pretende auxiliar o monitoramento de trânsito na capital funciona, parcialmente, no anel viário da cidade



A Prefeitura e a Urbanização de Curitiba (Urbs) iniciaram nesta terça-feira (10) os trabalhos de monitoramento do tráfego na região central da cidade com a Central de Controle Operacional (CCO). O sistema funciona, a princípio, com parte das câmeras e painéis instalados no anel viário da cidade.
Nesta terça-feira, cinco câmeras de fibra ótica e três painéis começaram a funcionar. Aliado ao sistema externo, uma central de controle, localizada atrás da Rodoferroviária de Curitiba, monitora o tráfego nas ruas atendidas pelo sistema. Os terminais do Cabral e do Pinheirinho já testam os painéis luminosos que informam a localização dos ônibus.
Aliado ao sistema externo, uma central com computadores monitora o tráfego nas ruas atendidas pelo sistema
O objetivo do CCO é atender aos motoristas para melhorar a mobilidade do trânsito. Em casos de congestionamento e acidentes, os condutores do transporte coletivo, por exemplo, serão avisados em tempo real da condição do tráfego para não passar por ruas com tráfego parado.
Os motoristas dos ônibus terão comunicação direta com fiscais da Urbs para informarem sobre a possibilidade de mudanças de rotas, horários ou paradas imprevistas. A previsão é que até o fim do ano o sistema esteja disponível para todas as linhas.
A intenção, segundo a Urbs, é que gradativamente as 21 câmeras instaladas e os painéis do anel viário passem a funcionar até o início de junho. As câmeras são instaladas no alto de postes de até 15 metros de altura e funcionam em circuito fechado de televisão (CFTV), com zoom de até 36 vezes.
Aliado ao sistema externo, uma central com computadores monitora o tráfego nas ruas atendidas pelo sistema
O Centro de Controle Operacional faz parte doSistema Integrado de Mobilidade (SIM), um conjunto de obras e equipamentos para auxiliar na mobilidade urbana de Curitiba. O projeto inclui também mudanças no funcionamento de semáforos para facilitar na fluidez do tráfego. Eles vão abrir e fechar de acordo com a situação do trânsito.
De acordo com o presidente da Urbs, Marcos Isfer, mesmo com todas as modernizações, o valor da tarifa de ônibus em Curitiba não deve aumentar além do reajusta anual. O presidente revela que as verbas para a implantação vieram do Fundo Estadual de Desenvolvimento Urbano (FDU), do a PAC da Copa e da Prefeitura Municipal de Curitiba.
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Edição 122 - Prefeitura planeja reestruturação para o Tatuquara

Pessoas
É a prefeitura mostrando serviço.
Ou 'mostrando' serviço?

A região do Tatuquara vai ganhar Rua da Cidadania, terminal de ônibus e uma Unidade de Saúde 24 horas. Em breve, os serviços da prefeitura vão ficar mais perto dos 82 mil moradores no Tatuquara, Caximba e Campo de Santana, que formam a décima administração regional da cidade.
“Curitiba ganha mais uma Administração Regional que vai direcionar o crescimento dos três bairros e promover o desenvolvimento ordenado e com qualidade de vida”, destaca o prefeito Luciano Ducci.
A Rua da Cidadania será a primeira obra do complexo a ser construída. A licitação está prevista para este mês. A Unidade 24 Horas e o terminal de ônibus estão em fase de projetos no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e na Urbs.


Em uma área de 48.400 metros quadrados, os moradores da região terão acesso ao transporte público e toda gama de serviços municipais, estaduais e federais. O novo espaço ficará entre as ruas presidente João Goulart, Jornalista Emílio Zola Florenzano e Engenheiro João Kloss. Em frente à Rua da Cidadania será construída uma grande praça, que será interligada ao terminal de ônibus e a Unidade de Saúde 24 Horas.
Ônibus 
Com 3.548,91 metros quadrados de área construída, a Rua da Cidadania terá prédio moderno. O Terminal do Tatuquara terá 5,7 mil metros quadrados de área construída e vai abrigar, inicialmente, oito linhas de ônibus. Será criada a nova linha de Ligeirinho Tatuquara-CIC, ônibus que fará apenas uma parada intermediária, na estação tubo que será implantada na Rua Joanilson de Quadros com Antonio Zanon. 

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Edição 121 - Obras de mobilidade urbana estão 'devagar'

Pessoas
Quando alguns externaram seus sentimentos em relação à vinda do evento "Copa do Mundo" para o Brasil, muitos torceram o nariz...
É claro que a visibilidade que o evento proporciona é inegável.
A pergunta que se faz é: A que preço?
A herança pós copa será bem utilizada? Dia desses um canal de TV fechada passou uma reportagem sobre o legado pós olimpíada, na China, trataram como grandes 'elefantes brancos' que só dão prejuízo...
Os recursos terão o destino certo?
Teremos desvios?
Fraudes?
Enfim...


Apontadas como o grande legado da Copa do Mundo de 2014 à população de Curitiba, as obras de mobilidade urbana ligadas ao mundial de futebol só agora começam a sair do papel. Dos nove projetos financiados com recursos do PAC da Copa na região metropolitana da capital, apenas a extensão da Linha Verde Sul, que começou no último dia 28 de maio, já está em andamento.
A situação contraria a previsão inicial divulgada pelo governo do Estado. Segundo dados apresentados no site oficial da Secretaria Especial para Assuntos da Copa de 2014 no Paraná (www.copa2014.pr.gov.br), a grande maioria das obras já deveria estar em execução.
Segundo o secretário responsável pela pasta da Copa, Mário Celso Cunha, um novo cronograma será apresentado no final do mês. “Participaremos de uma reunião em Brasília, com representantes de todas as sedes da Copa e dos ministérios, quando será apresentado o 3.º Balanço da Copa, já com as novas datas”, afirma.
Informações da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) mostram que a maior parte dos projetos relacionados à Copa só vai “decolar” a partir de julho. A reforma da Rodoferroviária e sua ligação com o Aeroporto Afonso Pena são exemplos de obras que tiveram seu início adiado para o segundo semestre.
A única obra do PAC da Copa já em execução, a extensão da Linha Verde até o Contorno Sul, executada pela prefeitura, também começou depois do previsto. No site da Secretaria da Copa, o início dos trabalhos estava marcado para dezembro de 2011.
Apesar do descompasso, prefeitura e governo do Estado não admitem atrasos. “Obras na região metropolitana são projetos a várias mãos, que precisam da aquiescência dos municípios, por isso pode haver algum adiamento. Mas nossa cronologia é plenamente compatível com a do comitê organizador e todas as obras estarão concluídas até abril de 2014”, diz o diretor técnico da Comec, Sandro Setim.
“Todas as obras estão dentro dos prazos. Licitações geralmente enfrentam recursos na Justiça, que podem retardar o início dos trabalhos. Mas todas estão dentro do cronograma”, garante o coordenador da unidade de gerenciamento do Ippuc, Edson Seidel.
Segundo Mário Celso Cunha, os novos prazos, que vão constar do 3.º Balanço da Copa, não poderão ser alterados novamente. “Esses são definitivos e serão cumpridos”, garante.


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