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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Edição 130 - Estatuto do deficiente está a caminho

Pessoas
Aos poucos o poder público vai percebendo a necessidade de adequar a legislação às necessidades das pessoas.
Torço para que um dia as diferenças sejam superadas, e as pessoas tenham condições de viver a seu modo, de forma digna.

Exigência do governo federal, documento desenvolvido por instituições, deficientes e familiares tem como objetivo garantir direitos e ampliar políticas para portadores de deficiência


Ampliar a assistência social a pessoas com deficiência e priorizar a educação in­­clusiva são alguns dos temas que serão contemplados no Estatuto da Pessoa com Deficiência do Paraná. O docu­­mento é uma exigência do governo federal junto aos estados desde o ano passado, baseado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela ONU em 2006. Com o estatuto, o estado poderá ser contemplado com parte dos R$ 7,6 bilhões destinados para o Plano Nacional dos Direitos da Pessoas com Deficiência.
Antônio Rubens de Amparo Júnior, 17 anos, portador da Síndrome de Williams: desafio é dar continuidade aos estudos
No Paraná, a criação deste instrumento é uma ação da Secretaria de Estado da Justiça e Cida­dania (Seju), da vice-governadoria e do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coede), e envolve a participação popular em todas as etapas de construção do documento que vai consolidar os direitos e garantias previstos em leis e decretos esparsos.

Os principais objetivos do estatuto são: consolidar e ampliar os direitos e garantias de proteção e promoção dos deficientes; e estabelecer as políticas de atenção a eles. Para atingir isso, a participação dos deficientes é fundamental, segundo Miguel Godoy, assessor especial para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, da Seju. “A ideia é fazer com que pessoas que vivam essa realidade participem ativamente na construção das iniciativas que irão mudar sua vida”, explica Godoy. “Isso evita o puro assistencialismo.”
Andréa Koppe é presidente da Unilehu, instituição sem fins lucrativos que promove a valorização da diversidade através de ações para inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, e conta que o estatuto pode garantir que a legislação já existente seja cumprida. “Nós achamos muito importante a discussão do assunto porque atende a algumas demandas regionais que o governo federal não consegue. A forma como está sendo feito, com a participação da sociedade civil, é um avanço”, afirma.
Destaques
Para o presidente do Coede, Mauro Nardini, os principais temas em debate são saúde, educação, trabalho e acessibilidade, na tentativa de desdobrar o que prevê a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e recebida no Brasil com status de norma constitucional, mas que atende de forma generalista o assunto. “Com o estatuto poderá ser melhorado um pouco de cada um desses eixos no estado”, garante Nardini.
Já Godoy destaca que o estatuto irá garantir a educação inclusiva como prega a convenção, a densificação de proteção à saúde e o fornecimento dos materiais necessários para as pessoas com deficiência, além da ampliação da assistência social a essas pessoas.
Segundo Koppe, o estatuto pode contribuir muito com a garantia de acessibilidade, tanto no aspecto dos espaços como de meios de transportes, além de questões como políticas públicas específicas para a reabilitação clínica e social, por exemplo. “O principal não é o estatuto em si, mas a discussão do tema na sociedade”, diz.
Coordenadora do núcleo pa­­ranaense da Associação Bra­­sileira da Síndrome de Williams e membro do Fórum Paranaense da Pessoa com Deficiência, Lu­­ciane Passos vê na iniciativa evoluções na saúde, educação e cultura.“É importante chamar a atenção da sociedade, mas esses direitos devem ser contemplados e garantidos para todas as pessoas com deficiência”, diz.
Tratamento
Inclusão cultural e escolar ainda são grandes desafios
“Parece que eles são invisíveis”. É assim que Luciane Passos, coordenadora estadual da Associação Brasileira da Síndrome de Williams e mãe de um garoto com a síndrome, resume sua visão sobre o modo como as instituições culturais tratam os deficientes no Paraná. Uma das responsáveis por analisar o capítulo do estatuto que trata da cultura, desporto, turismo, lazer e comunicação, ela diz que o estatuto “é importante para chamar a atenção, para que museus e bibliotecas façam ações voltadas a eles.”
Mãe de Bruno Passos Schneider, de 16 anos, portador da síndrome de Williams, uma desordem genética rara que provoca dificuldade de aprendizagem e hiperatividade, Luciane conta que as maiores dificuldades estão na área da educação de pessoas com esse tipo deficiência, principalmente no que diz respeito à inclusão escolar. “Eles não aprendem no mesmo ritmo dos outros, mas é na convivência com essas pessoas que eles se socializam”, afirma.
Continuidade
Também com síndrome de Williams, Antônio Rubens de Amparo Júnior tem 17 anos e estuda no Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto. Matriculado em uma classe especial, formada por 4 alunos com outras deficiências intelectuais, Antônio cursa o equivalente a 3ª série do ensino fundamental e se relaciona bem com seus colegas de turma e demais alunos da escola.
Clelia Marques, mãe de Antônio, fala que apesar de o rapaz ser bem acolhido onde estuda ainda existem barreiras a serem vencidas. “O certo é a inclusão em turma regular, mas é difícil”, e completa que, conforme o estudante vai ficando mais velho, faltam opções de continuidade do ensino. Uma luta que Antônio enfrenta sorrindo, justificando o apelido de “Síndrome da Simpatia” para sua deficiência.


Créditos




segunda-feira, 2 de abril de 2012

Edição 115 - Perdemos 14 bilhões de neurônios

Pessoas
Pesquisa revela que não temos o número de neurônios que era imaginado em tempos idos.
A mim preocupa e muito os resultados de pesquisas...
Correr faz bem, correr faz mal
Café faz mal, café faz bem
Ovo faz mal, ovo faz bem
Chopp engorda, chopp não engorda
Na dúvida, exercite seu cérebro.
Leia, brinque, dance, ria, faça e cultive amigos, antes que descubram que essas coisas fazem mal...

Pesquisa mostra que o ser humano tem 86 bilhões de neurônios e não 100 bilhões, como se acreditava. Descoberta ajuda a compreender melhor algumas doenças



Quantos neurônios temos no cérebro? Pela resposta pronta dos livros de escola são 100 bilhões. Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entretanto, provou que esse número que considerávamos certo não é a estimativa mais próxima. A partir de quatro cérebros usados como amostra, a média encontrada pelos pesquisadores da instituição foi de 86 bilhões de neurônios em todo o encéfalo. Mas, afinal, o que isso muda no estudo da Ciência?
Para o médico Roberto Lent, um dos professores da UFRJ que desenvolveu a pesquisa, a descoberta ajuda na compreensão do cérebro. “Dessa forma, é possível fazer inferências sobre a evolução do sistema nervoso e perceber as diferenças do desenvolvimento do cérebro, entre homens e mulheres, além de entender o grau de perda neuronal no envelhecimento ou em doenças neurodegenerativas”, explica.

Outro dado interessante trazido pelo estudo de Lent é sobre as células gliais, que servem como sustentação para os neurônios. A estimativa inicial é de que houvesse cerca de um trilhão dessas células, mas a realidade mostrou que elas estão em um número mais próximo das outras células nervosas, com cerca de 85 bilhões. O que se sabe é que tanto elas quantos os neurônios se encontram em quantidades variáveis nas diversas regiões do cérebro.
O neurocientista Alexandre Valotta da Silva lembra que as estimativas anteriores eram grosseiras. “Os métodos usados eram obsoletos, não levavam em conta a distribuição heterogênea das células”, diz Silva, que é docente do departamento de Biociências do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O erro de cálculo ocorria porque apenas uma área do cérebro era analisada e sua composição era considerada como base para as outras regiões.
Silva também destaca que o estudo é fundamental para o entendimento desse órgão, cujo funcionamento continua misterioso. “A neurociência, cada vez mais, faz uso de modelos matemáticos para entender as funções do cérebro, pois, para compreendê-las, é preciso entender a construção do sistema”, diz.
O professor do departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Li Li Min acredita que o número de neurônios não seja fixo, mas, com a estimativa, é possível observar a evolução cerebral. Ele também afirma que o importante é entender a capacidade do cérebro de se modificar. “Por observação e estudo, sabemos que os jovens têm maior capacidade de aprendizagem. O que não definimos, porém, é se isso acontece com o aumento de neurônios ou por eles conseguirem ampliar suas sinapses.”
Segredo
A questão de como as ligações são feitas também é avaliada pelo neuropsicólogo e professor do curso de Medicina da PUCPR Egídio José Romanelli. “A rigor, saber o número exato não muda grande coisa. O segredo não é esse e, sim, como as ligações são feitas pelos neurônios e como podemos aprimorá-las por meio de estímulos”, considera.
Só usamos 10% do cérebro?
A ideia de que usamos apenas 10% do cérebro não passa de um mito. "Os neurônios são células vivas e estão em funcionamento contínuo", explica a neurologista Márcia Lorena Fagundes Chaves, da Academia Brasileira de Neurologia. "Não importa o que o cérebro está fazendo, ele é sempre 100% utilizado, mas a complexidade desse uso pode ser modificada", alerta.
Para o neurocientista Alexandre Valotta da Silva há uma razão bem clara para o cérebro ser usado em sua totalidade. "O argumento principal é que o sistema nervoso é muito caro para o organismo. A natureza não se daria ao trabalho de construir algo tão precioso e não usá-lo em sua totalidade." (MS)
Procedimento
Para fazer a pesquisa é preciso destruir o órgão
O trabalho de contar as células do cérebro não é fácil. Mas os pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro Roberto Lent e Suzana Herculano-Houzel criaram um equipamento especial para chegar a uma estimativa mais próxima do número real de neurônios e outras células, o fracionador celular automático.
O aparelho foi feito em uma versão simples, que tritura e separa os pedaços do cérebro de maneira homogênea. O tecido cerebral, dissolvido em um líquido, mantém os núcleos em sua maioria intactos e, com um corante, os neurônios são distinguidos das outras células do encéfalo. Motores elétricos fazem com que os pistões agitem as amostras, desfazendo os pedaços do tecido.
Células gliais
Significam, em grego, cola. No início dos estudos sobre o cérebro, acreditava-se que esta era a função dessas células. Com o passar do tempo, porém, outras foram descobertas. Elas são responsáveis pela alimentação e nutrição do neurônio, são essenciais na neurogênese embrionária e guiam a célula do sistema nervoso até o local onde elas se estabelecem. Além disso, também ajudam na sinapse dos neurônios, determinando as ligações que serão feitas.
Créditos