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domingo, 28 de agosto de 2011

O quiromante da Terra

Pessoas
Ótima leitura para quem é apaixonado pelo tema: Terra.
Boa Leitura

Um dia se viu em Johannesburgo. Aproveitou para dar um pulo na Namíbia. De outra feita, instalou-se no Saara. O calor foi compensado com o frio do Ártico. Mas seus sonhos dormem em Vila Velha.

Ao se aproximar do geólogo João José Bigarella chame-o simplesmente de “professor”. É assim que gosta de ser tratado esse curitibano de 87 anos, dono das mais altas glórias da ciência, com folga o mais universal dos paranaenses. Mas é irremediável a tentação de chamá-lo de “viajante de todos os mundos”, um Von Humboldt tropical.

O temor é sempre o mesmo – que ao saber dos grandes feitos desse homem da cátedra algum desavisado o tome por um estudioso de vida reclusa, afundado em livros e desilusões acadêmicas. Não. Bigarella foi a quase todos os lugares onde um dia sonhamos ir ao ler a National Geo­graphic, ao ver filmes sobre países exóticos e distantes, ao assistir aos documentários da Discovery Channel.
Foi e é, do mesmo modo, passageiro de mapas muitos próximos. Criou-se numa casa de grande quintal onde hoje passa a Travessa da Lapa. Moço, vasculhava o litoral do estado em inocentes expedições do Museu Paranaense. Adulto, lançou-se com fúria às belezas plácidas dos Campos Gerais e pelas finadas Sete Quedas de Guaíra.
Nem cá, nem lá esteve a passeio. Deve-se às pesquisas do professor Bigarella o tombamento da Serra do Mar. A preservação da paisagem de Vila Velha. O salvamento dos sambaquis. Também levam seu selo uma comprovação da Teoria de Wiggert – sobre a separação da África e da América do Sul. Seu “bigarelômetro” – equipamento que inventou para estudar o comportamento dos ventos – é uma anedota suave que ajuda a desinibir diante da lenda em que seu criador se tornou.
Confira trechos da entrevista concedida pelo professor em seus dois apartamentos na Boa Vista. Num, mora com a mulher, Íris. Noutro [foto], guarda slides e anotações trazidas de incontáveis andanças. O local é uma viagem ao centro da Terra.
Bigarella nasceu num 23 de setembro, início da primavera. Diz alguma coisa?
[risos] Coincidência. Penso que meu amor à natureza nasceu nos domingos em que meus pais me levavam para passear nos arredores de Curitiba, a bordo de um Fordeco Bigode [Ford T, produzido a partir de 1908].
Quem eram eles?
Otília, minha mãe, era dos Schaffer. Embora dominasse o português perfeitamente, ela só falava comigo em alemão. Dava grande valor à educação. Os Bigarella eram de Pianella e depois se mudaram para Bolzano Vicentino, perto de Vicenza. Eram servos. Não tinham propriedade. Meu avô veio para o Brasil e começou a trabalhar como motorista de ponto de burro.
Onde o menino Bigarella já anunciava o geólogo Bigarella?
Os Bigarella tinham uma chácara onde hoje está a Visconde de Guarapuava e a André de Barros, na direção da Travessa da Lapa. Fui criado ali. Cultivavam legumes, tinham pomar. Meu pai, José João, não conseguiu estudar, mas me colocou num colégio bom, o Ma­­rista. Ali fui estimulado nas ciências. Eu fazia as lições e depois tinha de ir ao quintal, capinar, cumprir minhas obrigações na casa. [chora]
Quem o influenciou?
Eu tinha dois amigos, o Ralph Hertel, que era primo da Íris [mulher de Bigarella], e o Rodolfo Lange. Eles trabalhavam no Museu Paranaense. Com mais ou menos 21 anos comecei a participar das excursões do museu junto com eles. Numa dessas viagens, estava lá uma moça – da turma de Geografia e História – com dificuldade em fazer o desenho de uma cerâmica e pediu a minha ajuda. Anda até hoje por aqui. Era a Íris. [risos]
O que o senhor sonhava para sua vida?
Cursei Ciências Químicas e me formei em 1943. Comecei a vida trabalhando no IBPT [Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas]. Fazia prospecção de matéria-prima para a indústria mineral. Posso dizer que fui eu quem localizou todo esse cimento produzido no Norte de Curitiba. Mas não era minha vocação. Em 1944, acabei nomeado para trabalhar no museu pelo interventor Manoel Ribas. Foi quando comecei a tomar contato com pesquisadores. Observar o trabalho dos outros foi a minha escola.
Seus pais não ficaram preocupados... Um filho cientista?
Não lembro o quanto ganhava no instituto – mil ou dois mil na moeda da época? O pai da Íris não queria que eu casasse com ela, pois não ganhava o suficiente. [risos]
Como foi seu relacionamento com Reinhard Maack [1892-1969, geólogo alemão radicado no Paraná na década de 20]?
Trabalhei com o doutor Maack no Museu Paranaense. Gostaria de ter escrito algo com ele, mas não nos estimulava à pesquisa. Prefiro lembrar que no museu encontrei o paleontólogo Frederico Wal­­de­­mar Lange. Com Lange comecei a coleta de amostras de rochas. Que­­ria entender como se formaram. Penso que vem daí o sentimento de reposição do meio ambiente.
O senhor acabou rompendo os limites do Museu Paranaense. Como se deu isso?
Um dia, o geólogo Riad Salamuni [1927-2002] apareceu lá, retornando de uma temporada de estudos nos Estados Unidos. Fiquei feliz. Foi ele quem informou que o professor Pettyjohn procurava alguém que estivesse trabalhando no campo. O americano já havia procurado o doutor Maack, que não o respondeu...
Quem arquitetava essas trocas de Curitiba com o mundo?
O José Loureiro Fernandes [1903-1977] e o padre Jesus Moure [1902-2010]. Naquele momento, a Universidade do Paraná atraiu a visita de pesquisadores internacionais e até congressos científicos. Um deles, no final da década de 60, incluía uma excursão de 15 dias em campo. Atraímos 49 estrangeiros de 19 países e 40 brasileiros. Levei o diretor do serviço geológico da África do Sul, num Jeep, a São Luiz do Purunã. Ele ficou impressionado. Na volta, me convidou para conhecer a África do Sul. Quando me dei conta, estava em Johannesburgo.
Fernandes, Moure, Salamuni, Bigarella, Oldemar Blasi e Igor Chmyz, para citar alguns. O que determinou o nascimento de uma geração tão brilhante de pesquisadores no Paraná?
Talvez a gente tenha prestado atenção em como se fazia ciência fora daqui. Trouxemos essa mentalidade para cá. Chegaram a dizer que eu devia ir para o serviço geológico americano. Felizmente não fui. Não sou pessoa de procurar minérios e ganhar dinheiro com isso.
Mas os Estados Unidos cruzaram seu caminho mesmo assim...
Entre 1951 e 1952, apareceu uma oportunidade de ir para John Simon Guggenheim Memorial Foundation. Percorri o país de Leste a Oeste. Foi difícil. Por sorte, o Keneth Caster, que trabalhou no Brasil com o Maack, indicou que eu fosse passar um tempo com o professor Edwin D. McKee. Era aquilo que eu precisava. Fui indicado para um estágio no Instituto de La Roya. Conheci o Francis She­­pard, uma pessoa extraordinária.
Uma viagem chamava outra...
Sim. Em 1969, fiquei 45 dias na África do Sul. Acabei indo também à Namíbia, onde fiz medições no campo. Na ocasião, eu estava estudando a paleocirculação dos ventos há 120 milhões de anos. De lá, quis conhecer a Angola. Fui sem nenhum contato.
Comia o que lhe ofereciam...
Não tinha dificuldades. Não era às mil maravilhas, mas descia.
Falando em África, e o Deserto do Saara?
Na década de 1960, depois de ter publicado o primeiro trabalho sobre a deriva continental, movimentos de gelo, essas coisas, me senti mais entrosado no mundo científico. Isso me levou a ser chamado pelo Instituto Argelino de Petróleo para trabalhar no deserto do Saara. Foi espetacular. Acabou sendo um pequeno pulo para participar de projetos da Unesco.
Qual o lugar mais longe que o senhor foi...
O Ártico. Tentei tantas vezes ir à Amazônia e nunca consegui da maneira como eu queria. Foi mais fácil ir ao Saara. Queria ir à Antártida, também não consegui. Mas o Instituto Ártico Americano me levou no Ártico. Veja como são as coisas.
O senhor se considera um pioneiro do ambientalismo...
[risos] Aconteceu algo simples. Quando eu voltava do trabalho do campo, comentava com a Íris, minha mulher, os perigos ao meio ambiente. Naquele momento, foi ela quem mais se preocupou com o assunto. No início de 1970, criou o Movimento de Educação Ambiental, junto com alguns professores e com o Belmiro Castor. Não havia estatuto, era uma ação informal. Foi ela. Dessas conversas surgiu a Adea [Associação de Defesa e Educação Ambiental, uma das primeiras ONGs verdes brasileiras, criada pelos Bigarella].
O senhor sofreu alguma pressão durante o regime militar?
Fui respeitado. Quando estava estudando a Baía de Paranaguá, os militares queriam saber o que eu achava da abertura do Canal da Galheta. Sugeri um levantamento do tipo de sedimento que havia no fundo do mar. O resultado foi assustador. Na ocasião, havia a tendência das madeireiras se instalarem na Serra. Eu disse: “Derrubem a mata e podem tirar o Porto de Paranaguá dali”. Ia desabar tudo. O corte foi imediatamente proibido.
E o museu de geologia em Vila Velha? Lá se vão dez anos de espera...
Não quero entrar na política do Parque Estadual de Vila Velha. Propus um museu de geociências, um espaço virtual em que se possa assistir, em cenários, ao Big Bang, à formação do sistema solar, à origem da Terra há 4,5 bilhões de anos. O projeto é do professor Maurício Cândido da Silva. É dedicado a crianças e jovens, para que descubram a geologia.
Está em que estágio?
O prédio está construído, mas so­­fremos muitas perdas de recursos pela falta de vontade política: R$ 1 mi­­lhão da Petrobras, mais R$ 2,5 mi­­lhões de outro investidor. Quando este museu estiver pronto para a Copa, novos turistas vão ser atraídos a Vila Velha. São 3 mil e poucos metros quadrados. No primeiro módulo há uma cena da minha namorada. Eu a adoro, só que ela tem 11 mil e poucos anos. Chama-se Luzia. Eu a achei [os vestígios arqueológicos] quando estava orientando um mestrado na Serra da Estrela, na Bahia.
O museu é seu grande sonho?
É o canto do cisne na minha vida.
Quem é o geólogo João José Bigarella?
Quando eu olhava para o recorte de uma estrada, ele era mudo. Não dizia muita coisa. Mas eu fiz um curso de quiromancia. [risos] A quiromante lê a mão da pessoa e o geólogo lê a mão da Terra. Tem de entender o que a Terra quer dizer... Está tudo escrito no livro da Terra. Está tudo gravado lá. Hoje, quando olho uma rocha entro no túnel do tempo e vejo como era o momento de sua formação. Vem sem querer e me faz navegar. Isso se adquire gastando muita sola de sapato. Ser geólogo é 5% de inteligência e 95% de barriga da perna.
Professor Bigarella, como gosta de ser chamado, fala do projeto do Museu de Geologia, há dez anos em construção em Vila Velha, Ponta Grossa. O museu – pensado para ser interativo e voltado para o grande público – enfrenta os labirintos da burocracia. “É meu canto do cisne”, diz o pesquisador.

Fonte:
http://www.gazetadopovo.com.br/entrevistas/conteudo.phtml?tl=1&id=1162976&tit=O-quiromante-da-Terra

Arábia Saudita descobre civilização de 9 mil anos

Pessoas
Logo descobrirão novo sítio arqueológico e o que era verdade passará a passado...
Boa leitura

A Arábia Saudita está escavando um novo sítio arqueológico que revela que cavalos eram domesticados há 9 mil anos na Península Arábica, disse um especialista nesta quarta-feira. A descoberta dessa civilização chamada Al Maqar, mesmo nome do sítio arqueológico, desafia a tese de que a domesticação de animais ocorreu há 5,5 mil anos, na Ásia Central, segundo Ali al Ghabban, vice-presidente de Antiguidades e Museus da Comissão Saudita de Turismo e Antiguidades (CSTA).
"A descoberta irá mudar nosso conhecimento relacionado à domesticação de cavalos e à evolução da cultura no período Neolítico tardio", disse Ghabban. O sítio contém ainda restos de esqueletos mumificados, pontas de lanças, raspadeiras, mós para grãos, teares e outras ferramentas.
Embora seja o maior exportador mundial de petróleo, a Arábia Saudita tem buscado diversificar sua economia, com ênfase no turismo. No ano passado, a CSTA promoveu exposições sobre descobertas históricas sauditas em Barcelona e Paris.

Fonte:
http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/08/25/73801-arabia-saudita-descobre-civilizacao-de-9-mil-anos.html

Arábia Saudita descobre civilização de 9 mil anos

Pessoas
Nem tudo está perdido...
Logo descobrirão outra civilização e tudo volta ao começo.
Boa leitura


A Arábia Saudita está escavando um novo sítio arqueológico que revela que cavalos eram domesticados há 9 mil anos na Península Arábica, disse um especialista nesta quarta-feira. A descoberta dessa civilização chamada Al Maqar, mesmo nome do sítio arqueológico, desafia a tese de que a domesticação de animais ocorreu há 5,5 mil anos, na Ásia Central, segundo Ali al Ghabban, vice-presidente de Antiguidades e Museus da Comissão Saudita de Turismo e Antiguidades (CSTA).
"A descoberta irá mudar nosso conhecimento relacionado à domesticação de cavalos e à evolução da cultura no período Neolítico tardio", disse Ghabban. O sítio contém ainda restos de esqueletos mumificados, pontas de lanças, raspadeiras, mós para grãos, teares e outras ferramentas.
Embora seja o maior exportador mundial de petróleo, a Arábia Saudita tem buscado diversificar sua economia, com ênfase no turismo. No ano passado, a CSTA promoveu exposições sobre descobertas históricas sauditas em Barcelona e Paris.

Fonte:
http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/08/25/73801-arabia-saudita-descobre-civilizacao-de-9-mil-anos.html

Unidade de conservação não é causadora de pobreza, conclui estudo

Pessoas
Pelo menos uma boa notícia, espero...
Boa leitura

Estudo publicado na última edição da "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS) questiona a crença de que as unidades de conservação são um fator que provoca pobreza nos moradores de seu entorno e que, por conseguinte, não se deve proteger a biodiversidade enquanto houver miséria entre a população, uma ideia bastante discutida nos países em desenvolvimento.
A geógrafa Lisa Naughton, professora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, acompanhou por uma década o desenvolvimento de 252 famílias que viviam num raio de menos de 5 quilômetros do Parque Nacional Kibale, em Uganda. Ela observou que, de fato, há uma quantidade muito grande de pessoas extremamente pobres ao redor do parque. Embora, de forma geral, as famílias estudadas tenham tido um progresso material ao longo dos dez anos analisados, 10% delas perderam sua terra ou a venderam, um sinal grave de que estão entrando numa fase de ainda maior pobreza, já que naquela região o solo é o principal substrato para qualquer forma de produção econômica.
Lisa Naughton notou, no entanto, que entre as famílias que viviam em lugares distantes do entorno do parque, o índice de perda ou venda de terreno foi ainda maior. A conclusão da geógrafa é que os habitantes das proximidades da reserva tinha a unidade de conservação como uma fonte adicional de recursos, já que ali podem caçar ou fazer alguns tipos de extrativismo vegetal.
"Quando se olha na diferença de bens (ao longo do tempo), nota-se que os pobres que vivem perto do parque perderam menos que os pobres que vivem mais longe", explica a pesquisadora, em comunicado da universidade. Ela admite, no entanto, que é difícil saber se é possível generalizar essa tendência para outras reservas, já que as características das unidades de conservação em países em desenvolvimento são muito diferentes.

Fonte:
http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/08/23/73684-unidade-de-conservacao-nao-e-causadora-de-pobreza-conclui-estudo.html

Fenômeno El Niño duplica risco de guerra civil, diz estudo

Pessoas
Quando li este texto lembrei-me do estudo realizado pelo professor Francisco sobre crimes e clima...
Qualquer concidência não é mera semelhança.
Boa leitura

O fenômeno climático El Niño, que espalha ar seco e quente pelo planeta a cada quatro anos, em média, duplica o risco de guerras civis em 90 países tropicais, disseram pesquisadores nesta quarta-feira (24).
Como os padrões do El Niño podem ser previstos com até dois anos de antecedência, os cientistas sugeriram que suas descobertas poderiam ser usadas para ajudar na preparação para alguns conflitos e crises humanitárias causados por essa alteração no clima.
Historiadores e especialistas no assunto observaram sinais de que mudanças no clima foram a causa de conflitos e do declínio de sociedades no passado, mas este é o primeiro estudo a quantificar a ligação entre o calor do El Niño, as secas que provoca e levantes em países mais afetados por ele.
Cientistas disseram à revista Nature que entre 1950 e 2004 um de cada cinco conflitos civis foram influenciados pelo El Niño.
O fenômeno começa como uma grande extensão de água quente na parte tropical do Pacífico e influencia o clima mundial e o tempo na África, Oriente Médio, Índia, Sudeste da Ásia, Austrália e Américas.
Segundo um dos autores do estudo, Kyle Meng, da Universidade de Columbia, nos EUA, o fenômeno pode causar grandes perdas nas lavouras e o aumento de desastres naturais, como furacões, e da disseminação de doenças infecciosas.
"Esses fatos podem resultar em aumento na desigualdade de renda… e efeitos no mercado de trabalho", disse Meng, em contato telefônico. "Isso provoca crescente desemprego, o que torna um pouco mais atraentes as oportunidades de combater."
Normalmente também fica mais difícil para os governos imporem a lei durante graves problemas climáticos, disse ele. Os pesquisadores constataram notável relação entre os padrões do El Niño e agitações civis no Peru, em 1982, e no Sudão, em 1963, 1976 e 1983.
Entre outros países onde se verificou forte conexão entre violência e El Niño estão El Salvador, Filipinas e Uganda, em 1972; Angola, Haiti e Mianmar em 1991; e Congo, Eritreia e Ruanda em 1997.
Os pesquisadores tomaram como referência guerras civis porque depois de 1950 elas representaram de 80 a 90 por cento de todos os conflitos.
Cerca de 40 por cento dos conflitos registrados iriam provavelmente ocorrer de qualquer maneira, mas os rigores do El Niño tornaram mais provável a irrupção de violência e, algumas vezes, fizeram com que emergisse mais cedo. Os países mais pobres foram os mais propensos aos problemas.
Os cientistas fizeram correlações entre os padrões do El Niño de 1950 a 2004 e confrontos civis que mataram mais de 25 pessoas em determinados anos, num total de 175 países e 234 conflitos, dos quais metade causaram mais de mil mortes.
Nações com o clima afetado pelo ciclo do El Niño tiveram 6% de probabilidade de guerra civil quando o clima se tornava seco e quente. Quando o fenômeno mais frio e úmido do fenômeno La Niña prevalecia, o porcentual de risco caía pela metade (3%), disseram os cientistas.

Fonte:
http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/08/25/73769-fenomeno-el-nino-duplica-risco-de-guerra-civil-diz-estudo.html

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rio de 6 mil km é descoberto embaixo do Rio Amazonas

Pessoas
Mais uma reserva de água a ser disputada...
Os alarmistas de plantão poderão deliciar-se com essa notícia.
Boa leitura

Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d’água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.

Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.

O dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.


Características

A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.

As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d’água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.

Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.

Fonte:
http://br.noticias.yahoo.com/rio-6-mil-km-%C3%A9-descoberto-embaixo-rio-130100399.html